PM de Tarcísio invade USP com bombas e gás contra estudantes em greve

Operação da PM usou bombas, gás e cassetetes para retirar estudantes da reitoria da USP; movimento denuncia repressão de Tarcísio à greve estudantil na universidade

A Polícia Militar de São Paulo retirou na madrugada deste domingo (10) os estudantes que ocupavam a reitoria da Universidade de São Paulo desde a última quinta-feira (7), em meio à greve estudantil iniciada em abril nas universidades estaduais paulistas. 

Leia também: Greve na USP e crise na Unesp expõem abandono de Tarcísio

Segundo relatos do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a ação começou por volta das 4h15, com uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, escudos e cassetetes contra os manifestantes. Os estudantes afirmam que policiais formaram um “corredor polonês” durante a desocupação, com agressões físicas contra os ocupantes da reitoria.

Quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na Lapa. 

O movimento estudantil denuncia repressão violenta e acusa o governo Tarcísio de Freitas de responder com força policial às reivindicações por permanência estudantil, moradia e melhores condições nas universidades públicas paulistas.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram policiais avançando contra os estudantes dentro do prédio da reitoria. 

O movimento estudantil afirma que diversos alunos ficaram feridos durante a operação e acusa a PM de promover uma ação “abusiva” e sem respaldo judicial. 

Em nota, o DCE sustenta que não havia ordem de reintegração de posse e afirma que a desocupação ocorreu fora dos parâmetros normalmente adotados pelos tribunais em operações desse tipo.

A ocupação fazia parte da greve que mobiliza estudantes da USP, da Universidade Estadual Paulista e da Universidade Estadual de Campinas. Segundo os grevistas, ao menos 104 cursos aderiram à paralisação. 

Entre as reivindicações estão aumento das bolsas permanência, contratação de professores e servidores, melhorias estruturais e ampliação das políticas de assistência estudantil.

Na USP, os estudantes criticam a proposta da reitoria de reajustar bolsas apenas pelo IPC-Fipe, considerado insuficiente diante do custo de vida em São Paulo. 

O movimento reivindica equiparação ao salário mínimo paulista. Também denunciam problemas estruturais graves no Crusp, conjunto residencial estudantil da universidade, com infiltrações, vazamentos, mofo, falta de iluminação e até presença de ninhos de pombo em cozinhas coletivas.

A repressão deste domingo ocorre após semanas de impasse entre estudantes e a gestão do reitor Aluísio Segurado. 

A reitoria afirmou que manteve negociações com os grevistas, mas declarou que as conversas chegaram “a um limite”. Em nota, a USP disse que comunicou a ocupação à Secretaria de Segurança Pública no dia 7 de maio, mas alegou não ter sido avisada previamente sobre a operação da PM.

A crise também atinge a Unesp e a Unicamp. Na Unesp, o movimento estudantil prepara nova etapa de mobilização após a morte da professora Sandra Regina Campos, ocorrida em abril durante atividade noturna no campus da Barra Funda. 

Estudantes denunciam ausência de estrutura básica de atendimento médico e segurança no período noturno. Entidades estudantis articulam assembleias e paralisações nesta segunda-feira (11), ampliando a jornada de lutas nas estaduais paulistas.

As mobilizações ganharam força nas últimas semanas e passaram a relacionar diretamente o sucateamento das universidades à política orçamentária do governo estadual. 

Em reportagem publicada anteriormente pelo Portal Vermelho, dirigentes estudantis e sindicais apontaram que o modelo de financiamento das universidades estaduais paulistas está defasado há décadas e acusaram o governo Tarcísio de aprofundar políticas de austeridade e precarização do ensino superior público.

Para entidades como UNE, UEE-SP e DCEs, a operação policial deste domingo marca uma escalada na resposta do governo às mobilizações estudantis. 

A expectativa agora é de novos atos, assembleias e manifestações unificadas entre USP, Unesp e Unicamp ao longo da próxima semana.

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