CA – Segundo informações divulgadas pelo Correio Braziliense, os ipês-amarelos começaram a florescer em Brasília no início de agosto, período considerado mais tardio em comparação com alguns anos anteriores. O atraso chamou a atenção dos moradores, que já esperavam encontrar a cidade tomada pelo amarelo característico das árvores durante o inverno.
A floração dos ipês é um dos momentos mais marcantes do calendário natural de Brasília. As árvores espalhadas pelas diferentes regiões do Distrito Federal costumam transformar a paisagem durante a estação seca, quando as copas ficam cobertas pelas flores e as folhas caem.
De acordo com o biólogo Marcelo Kuhlmann, doutor em Botânica pela Universidade de Brasília (UnB), o período de floração está diretamente relacionado às condições climáticas. Chuvas fora de época ou uma demora maior para o início da seca podem fazer com que as flores apareçam mais tarde.
Nas proximidades da L2 Norte, por exemplo, algumas árvores começaram a apresentar as primeiras flores nesta primeira semana de agosto. A região costuma chamar a atenção durante o inverno justamente pela quantidade de ipês que florescem nas quadras residenciais.
A estudante de Direito Pietra Mayrink, de 23 anos, costuma correr pela região e esperava encontrar mais árvores floridas em julho. Para ela, os ipês-amarelos estão entre as espécies mais bonitas da capital e o período de floração é aguardado durante todo o ano.
Pietra conta que, no ano passado, as árvores começaram a florescer mais cedo. A diferença fez com que moradores percebessem o atual período como um possível atraso.
Clima influencia a floração
Segundo Kuhlmann, o comportamento dos ipês está diretamente ligado ao regime climático. Quando a seca demora a se consolidar ou ocorrem chuvas fora do período esperado, a floração pode ser adiada por semanas.
Com o encerramento das chuvas, a planta recebe um sinal biológico para interromper o crescimento de novas folhas e direcionar sua energia para a reprodução.
A disponibilidade de água no solo é um dos fatores determinantes para esse processo. Por isso, a floração não ocorre exatamente na mesma data todos os anos.
Em períodos de seca mais precoce, as árvores podem florescer antes do habitual. Já quando as chuvas se prolongam ou as temperaturas apresentam comportamento diferente do esperado, a tendência é de que a floração seja retardada.
O ciclo é uma adaptação natural das espécies às condições do Cerrado. Durante a seca, os ipês perdem as folhas para reduzir a perda de água e direcionam suas reservas para a produção das flores.
Árvores chamam atenção dos moradores
No Sudoeste, um ipê-amarelo localizado próximo à área comercial da CLSW 302 já começou a florescer. A árvore, que está praticamente isolada em meio ao estacionamento, ganhou destaque entre trabalhadores e pessoas que passam pelo local.
Carmem Moreira Nunes, de 52 anos, trabalha na região e conta que a árvore se tornou uma atração entre os funcionários do estabelecimento onde trabalha. Segundo ela, muitas pessoas param para fotografar o ipê.
A moradora destaca que o contraste entre as flores amarelas, o céu azul e o período de seca torna a árvore ainda mais chamativa.
Na Asa Norte, Bruna Grebot, de 35 anos, também percebeu a diferença no período de floração. Moradora da região há três anos, ela costuma caminhar diariamente pelas proximidades da L2 Norte com a cadela e afirma que, em anos anteriores, já havia encontrado mais ipês em plena floração nessa época.
Para a advogada, as árvores acrescentam beleza e um aspecto especial à rotina de quem vive em Brasília.
Símbolo de Brasília
A presença dos ipês no paisagismo e na arborização urbana ajudou a transformar as árvores em um dos símbolos mais conhecidos de Brasília.
Kuhlmann explica que a relação entre os ipês e o Cerrado é resultado de um processo de adaptação que ocorreu ao longo de milhões de anos. A vegetação típica da região é marcada por uma estação seca prolongada e outra chuvosa, e as plantas desenvolveram estratégias para sobreviver a essas mudanças.
No caso dos ipês, a perda completa das folhas antes da floração faz com que as copas fiquem praticamente cobertas apenas pelas flores. O resultado é o espetáculo visual que todos os anos chama a atenção dos brasilienses.
A sequência de floração varia conforme a espécie. Os ipês-roxos costumam florescer primeiro, geralmente em maio. Os amarelos têm seu período mais característico em julho, embora possam apresentar variações conforme o clima. Já os ipês-rosas e brancos encerram o ciclo entre agosto e outubro.
Neste ano, portanto, os brasilienses ainda devem esperar mais algumas semanas para acompanhar a intensificação da floração dos ipês-amarelos em diferentes pontos da capital.
A variação no calendário, segundo especialistas, não significa necessariamente um problema para as árvores. O comportamento está relacionado principalmente às condições climáticas registradas ao longo do ano.
Nota de transparência: Esta matéria foi reescrita com auxílio de inteligência artificial, a partir das informações divulgadas pela fonte mencionada, e passou por revisão editorial.



