Moraes autoriza busca contra ex-secretário apontado como fonte de jornalista

CA – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo Almeida, em uma investigação sobre suposta perseguição ao ministro Flávio Dino, segundo informações do Correio Braziliense.

As medidas foram solicitadas pela Polícia Federal (PF) e tiveram autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação tramita sob sigilo. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, computadores e telefones celulares.

Em novembro, Almeida publicou reportagens nas quais acusou Dino e familiares de suposto uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). Na produção das matérias, o jornalista teria contado com a assessoria de um advogado, que também foi alvo das buscas realizadas nesta terça-feira (11).

Segundo a decisão, a PF identificou movimentações financeiras do advogado em favor do jornalista e busca esclarecer se os pagamentos estariam relacionados a publicações de interesse do grupo ligado a Cutrim. O defensor teria repassado R$ 100 mil, utilizados na compra de um terreno.

A investigação apura uma suposta perseguição contra Dino, incluindo “exposição indevida relacionada à segurança” do ministro e eventual utilização de “mecanismo estatal” para monitoramento.

A defesa de Cutrim, comandada pelo advogado Berilo Freitas, confirmou que a decisão menciona o ex-secretário como fonte do jornalista. “Investigam um jornalista que faz denúncia, investigam o advogado que o orienta, a fonte… E não investigam a denúncia? É estranho”, afirmou.

Almeida, por sua vez, declarou que o valor citado na investigação não tem relação com seu trabalho jornalístico.

Em março, o jornalista já havia sido alvo de uma operação da PF, também autorizada por Moraes, em outra investigação que tramita sob sigilo.

ANJ critica operação

O presidente executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, manifestou preocupação com a decisão.

“A busca e apreensão em razão de informação jornalística abre um precedente muito perigoso. É uma séria ameaça à liberdade de imprensa”, afirmou.

Assessoria de Dino nega irregularidades

A assessoria de Flávio Dino negou que o ministro ou seus familiares tenham utilizado irregularmente veículos oficiais do TJ-MA. Em nota, o gabinete classificou como “inverdades” as informações sobre eventual uso indevido da estrutura do tribunal.

Segundo a manifestação, o veículo blindado foi cedido pelo tribunal após solicitação da Secretaria de Segurança do STF, diante de ameaças contra Dino e familiares.

A assessoria também afirmou que não pode divulgar detalhes dos protocolos de segurança adotados para proteger o ministro e seus familiares, devido à natureza das medidas.

Ainda segundo o gabinete, investigações recentes identificaram que veículos particulares utilizados pelo ministro e por familiares teriam sido monitorados e seguidos. A assessoria disse não ter outras informações sobre os episódios porque os processos tramitam sob segredo de Justiça.

Diante dos novos fatos, o gabinete de Dino informou ter solicitado medidas adicionais para reforçar a segurança do ministro e de sua família. As providências também serão mantidas em caráter reservado.

Em julho, Dino havia determinado a prisão domiciliar e o afastamento de Cutrim da função. O caso continua sob sigilo.

*Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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