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Consumo das famílias perde força e deve ter menor crescimento desde a pandemia

Fotos: Débora Oliveira/Jornal de Brasília

Ceilândia em Alerta — O consumo das famílias brasileiras, um dos principais motores do Produto Interno Bruto (PIB), deve registrar em 2026 e 2027 o menor crescimento desde a pandemia de Covid-19. Economistas projetam avanço próximo de 1% neste ano e inferior a esse patamar no próximo, em um cenário marcado pelo endividamento elevado, pela desaceleração do crédito e pela perda de ritmo do mercado de trabalho.

O consumo das famílias representa cerca de 63% do PIB brasileiro e tem papel importante na atividade econômica. Entretanto, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas limita a capacidade de compra da população e reduz o ritmo das vendas de bens e serviços.

Segundo dados do Banco Central citados na reportagem, o endividamento das famílias chegou a 49,9% e o comprometimento da renda com dívidas alcançou 28,7% em julho de 2026.

Consumo perde ritmo após anos de crescimento

Entre 2021 e 2025, o consumo das famílias cresceu, em média, 3,3% ao ano. O avanço foi impulsionado pela recuperação do mercado de trabalho, pela ampliação de benefícios sociais e pela expansão do crédito.

Em 2024, o indicador registrou alta de 5,1%. Em 2025, o crescimento desacelerou para 1,3%, e os dados mais recentes apontam para uma perda adicional de força.

No segundo trimestre de 2026, o consumo das famílias recuou 0,4% em relação aos três primeiros meses do ano, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista Felipe Camargo, da Oxford Economics, avalia que a desaceleração do consumo é um dos principais fatores por trás da redução das expectativas de crescimento econômico.

Endividamento e juros pressionam o orçamento

O elevado volume de dívidas compromete parte da renda disponível para novas compras. Além disso, o crédito destinado às pessoas físicas tende a crescer em ritmo menor, restringindo o financiamento de bens de maior valor.

A economista Natália Cotarelli, do Itaú Unibanco, projeta crescimento de 1,1% para o consumo tanto em 2026 quanto em 2027. Segundo ela, o endividamento das famílias e o pagamento de juros reduzem o espaço para ampliar os gastos.

A manutenção de juros elevados também afeta as empresas, que enfrentam custos maiores para financiar investimentos e expandir suas operações.

Investimentos e exportações podem ganhar espaço

Com a perda de força do consumo interno, economistas esperam que os investimentos e as exportações tenham participação maior no crescimento da economia brasileira nos próximos anos.

Entre as áreas com potencial de expansão estão a infraestrutura portuária e os centros de processamento de dados, conhecidos como data centers.

A avaliação é que uma eventual redução dos juros poderá estimular os investimentos privados. Ainda assim, economistas ressaltam que esses setores podem não compensar integralmente a desaceleração do consumo das famílias.

As projeções também apontam para um crescimento mais moderado do PIB em 2027. O Boletim Focus, do Banco Central, indicava expectativa de expansão de 1,41% para o próximo ano, abaixo dos 1,80% projetados no início de 2026.

O cenário indica uma mudança na composição do crescimento econômico brasileiro, com o desafio de ampliar os investimentos e a produtividade diante das limitações do consumo e do crédito.

Fonte: Jornal de Brasília

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