Ceilândia em Alerta — O mercado automobilístico brasileiro deve encerrar 2026 com aproximadamente 3,1 milhões de veículos novos vendidos, alcançando o maior volume em 12 anos. A projeção é da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que revisou para cima suas estimativas diante do desempenho das vendas nos primeiros nove meses do ano.
Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira (12/10), a previsão é de 3,099 milhões de veículos emplacados até dezembro, um crescimento de 15,2% em relação a 2025. A estimativa anterior era de 3,014 milhões de unidades. Caso o resultado se confirme, será o melhor desempenho desde 2014.
O avanço é impulsionado principalmente pelas vendas de automóveis de passeio e comerciais leves, categoria que inclui picapes e furgões. Para esse segmento, a Anfavea projeta 2,97 milhões de unidades comercializadas, alta de 16,4% na comparação anual.
Vendas crescem mais que a produção nacional
Apesar da expansão nas concessionárias, a produção das montadoras instaladas no Brasil apresenta um ritmo mais moderado. A entidade estima que a fabricação alcance 2,822 milhões de veículos em 2026, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior.
Em setembro, as vendas aumentaram aproximadamente 2,3% na comparação com agosto, enquanto a produção recuou 1,1% no mesmo período. A diferença entre os indicadores evidencia que o crescimento da demanda não está sendo acompanhado na mesma proporção pela indústria nacional.
A ampliação da concorrência entre fabricantes e o aumento da presença de marcas estrangeiras, especialmente chinesas, também contribuem para transformar o mercado brasileiro.
Incentivos e concorrência estimulam o setor
Entre os fatores que favorecem as vendas estão a ampliação da oferta de modelos, as campanhas comerciais das montadoras e os programas de incentivo à aquisição de veículos novos.
As iniciativas federais Carro Sustentável e Move Brasil também aparecem entre os estímulos ao setor, com medidas voltadas a determinados segmentos de veículos e condições de financiamento.
Mesmo com o crescimento da procura, os juros elevados continuam dificultando o acesso ao crédito para parte dos consumidores. As condições de financiamento seguem como um dos principais obstáculos para quem pretende comprar um automóvel novo.
Caminhões e ônibus enfrentam retração
O desempenho positivo dos veículos leves contrasta com as dificuldades enfrentadas pelo mercado de veículos pesados. A Anfavea prevê queda de 6,5% nas vendas de caminhões e ônibus em 2026.
No segmento de caminhões, os emplacamentos acumulavam retração de 3,9% entre janeiro e setembro, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O custo do crédito afeta transportadoras e empresas que dependem de financiamentos para renovar suas frotas. Embora setembro tenha registrado recuperação mensal nas vendas de caminhões, o resultado ainda não foi suficiente para reverter a queda acumulada no ano.
Importações ampliam pressão sobre montadoras
O crescimento da participação de veículos importados também preocupa representantes da indústria instalada no país. A entrada de modelos estrangeiros, somada à expansão de operações de montagem com componentes provenientes do exterior, intensifica a concorrência.
A Anfavea defende maior clareza nas regras de conteúdo nacional e nas exigências aplicáveis à produção local, argumentando que o aumento das importações traz desafios para os investimentos industriais e para a cadeia brasileira de fornecedores.
A projeção de crescimento das vendas, portanto, ocorre em um cenário de recuperação do consumo, mas também de desafios relacionados à produção nacional, ao crédito e à competitividade da indústria automotiva.
Fonte: Brasil 247



