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João Gomes é cobrado por silêncio nas eleições; Lula teve 80,92% dos votos na cidade natal do cantor

O cantor João Gomes aparece durante uma apresentação, segurando um microfone e olhando para o lado. Ele veste uma camisa rosa do Santos Futebol Clube, boné estampado e aparelho auditivo, sob iluminação quente em tons alaranjados.
Cantor pernambucano João Gomes, que passou a receber cobranças nas redes sociais por não declarar apoio a candidatos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. | Crédito: Jota Erre/Agif/AFP

João Gomes e as eleições de 2026 estão no centro de uma discussão nas redes sociais. Enquanto internautas cobram posicionamento político, familiares e outros artistas defendem seu direito de não declarar o voto.

Ceilândia em Alerta – O cantor pernambucano João Gomes, de 24 anos, tornou-se alvo de cobranças nas redes sociais por não declarar apoio a nenhum dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A repercussão ganhou força após internautas lembrarem que Lula (PT) recebeu 80,92% dos votos válidos em Serrita, município do sertão de Pernambuco onde o artista nasceu.

De acordo com os dados eleitorais apresentados pelo Brasil de Fato, o presidente recebeu 9.943 votos no município durante o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, obteve 1.846 votos, equivalentes a 15,02%.

Em Petrolina, cidade onde João Gomes cresceu e reside atualmente, Lula também recebeu a maioria dos votos válidos, com 60,18%, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 32,77%.

Os resultados eleitorais das duas cidades passaram a ser mencionados por usuários das redes sociais que esperavam uma manifestação pública do cantor.

Com mais de 17 milhões de seguidores no Instagram, João Gomes é um dos nomes de maior projeção da música brasileira contemporânea, especialmente por sua trajetória ligada ao piseiro e à cultura nordestina.

A discussão sobre João Gomes e as eleições de 2026, entretanto, ultrapassou os resultados das urnas e passou a envolver os limites das cobranças dirigidas a artistas e personalidades públicas.

João Gomes e as eleições de 2026: episódio de 2022 volta ao debate

As cobranças atuais recuperaram um episódio ocorrido durante o Rock in Rio de 2022, quando João Gomes puxou um coro contrário ao então presidente Jair Bolsonaro.

A manifestação ganhou repercussão nacional e provocou reações nas redes sociais. Dois dias depois, o cantor publicou um pedido de desculpas, afirmando que havia agido de maneira irresponsável e que não pretendia representar uma bandeira política.

O episódio voltou a ser lembrado diante da ausência de uma declaração pública do artista sobre o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

No domingo (11), Ary Mirelle, esposa do cantor, respondeu a críticas dirigidas ao marido e explicou que a repercussão de 2022 teve consequências para sua vida pessoal.

Segundo Ary, João passou a enfrentar dificuldades após os ataques recebidos naquela ocasião. Ela também relatou que a família tem sido alvo de ameaças, inclusive envolvendo os filhos do casal.

Em sua manifestação, Ary pediu compreensão e afirmou que o silêncio do marido não deve ser interpretado como rejeição ao Nordeste ou falta de preocupação com o país.

O relato da esposa trouxe outra dimensão à discussão, ao expor possíveis consequências pessoais da pressão pública por posicionamentos políticos.

Mestrinho defende liberdade de posicionamento dos artistas

A repercussão também envolveu outros músicos que trabalham com João Gomes.

O sanfoneiro Mestrinho, parceiro do cantor e de Jotapê no projeto musical Dominguinho, publicou um vídeo no sábado (10) criticando a pressão para que artistas declarem publicamente suas preferências eleitorais.

Mestrinho defendeu que cada pessoa tenha liberdade para decidir se deseja ou não tornar público seu voto. Ao mesmo tempo, declarou sua própria posição política, afirmando apoio à reeleição de Lula e rejeição à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Jotapê, outro integrante do projeto, também tem manifestado apoio ao presidente nas redes sociais.

As diferentes atitudes dos três músicos mostram que, mesmo entre artistas que dividem projetos profissionais, não existe necessariamente uma postura única em relação à participação no debate eleitoral.

A trajetória de João Gomes também voltou a ser mencionada por internautas por sua ligação com a educação pública.

O cantor estudou no Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e já destacou publicamente a importância dos professores em sua formação.

Em outubro de 2025, durante um show beneficente em Petrolina, ele se emocionou ao reencontrar uma professora do ensino fundamental e agradeceu pela contribuição dos educadores em sua trajetória.

A história pessoal do artista e os resultados eleitorais de sua região passaram a integrar os argumentos apresentados nas redes sociais. No entanto, a votação registrada em Serrita ou Petrolina não determina a preferência individual de João Gomes, que não declarou apoio público a nenhum dos dois candidatos neste segundo turno.

A controvérsia evidencia uma discussão mais ampla sobre o papel de personalidades públicas nas eleições: de um lado, seguidores que consideram importante a manifestação política de artistas com grande alcance; de outro, a defesa do direito de cada cidadão de preservar suas escolhas eleitorais.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.


🔍 Fontes: Brasil de Fato | Poder360 | Metrópoles

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