DEPOIS DA BRONCA DE DODGE, LAVA JATO SAI ENFRAQUECIDA

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, desencadeou a maior crise da operação Laja Jaro até aqui. Como chefe máxima da instituição (o Ministério Público), Dodge sinalizou que a operação não goza mais do prestígio – e força política – do passado recente ao contestar o fundo de R$ 2,5 bilhões prestes a ser criado pela república de Curitiba. As consequências gerais da bronca pública que Dodge deu nos procuradores da operação ainda são imprevisíveis, mas um efeito é certo: a Lava Jato saiu enfraquecida do episódio.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo explica a situação: “Dodge pediu na terça (12) ao STF a anulação do acordo firmado entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras que resultaria na criação de uma fundação privada que seria gerida por procuradores. No mesmo dia, sob críticas de diferentes setores, o Ministério Público Federal anunciou a suspensão do acordo —medida confirmada nesta quarta-feira (13) pelo juiz federal Luiz Antônio Bonat, substituto de Sergio Moro como novo titular da Lava Jato.”

E destaca: “o posicionamento de Dodge de censurar publicamente a Lava Jato em Curitiba (e especialmente o procurador Deltan Dallagnol, que se tornou símbolo da operação) provocou indignação em outros procuradores pelo país. Eles temem que o Supremo aproveite o episódio para limitar o raio de ação da Lava Jato e, a depender da decisão sobre o fundo, impedir que procuradores façam acordos nos quais eles determinam o destino dos recursos.”

A matéria ainda informa que “o ponto de discórdia entre a procuradora-geral e a força-tarefa de Curitiba é o fundo de R$ 2,5 bilhões que a Lava Jato criou com a chancela inicial da Justiça Federal —e depois recuou por causa da repercussão negativa. Do ministro do Supremo Marco Aurélio Mello ao PSOL, do PT ao Tribunal de Contas da União, o fundo foi bombardeado por aparentes ilegalidades, supostos conflitos de interesse e pontos obscuros nos seus objetivos. Os R$ 2,5 bilhões seriam divididos em proporções iguais por dois fundos: um de combate à corrupção, que teria o seu conselho diretor indicado pela Procuradoria da República no Paraná e por organizações da sociedade civil, e outro para ressarcir investidores minoritários da Petrobras.”

 

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