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Senado aprova fim da escala 6×1 por 75 votos a 1; Lula comemora conquista dos trabalhadores

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece sorridente, vestindo camisa branca, em montagem com imagem do plenário da Câmara dos Deputados ao fundo, onde parlamentares comemoram, levantam os braços e registram o momento com celulares, diante do painel eletrônico de votações.
Senadores comemoram no plenário do Senado Federal, em Brasília, a aprovação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1, em 14 de outubro de 2026. Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Fim da escala 6×1 aprovado no Senado garante dois dias de descanso semanal e redução gradual da jornada para 40 horas, sem corte salarial. Mudança ainda depende de promulgação.

Ceilândia em Alerta – O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A votação ocorreu em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou o resultado nas redes sociais e classificou a aprovação como uma conquista histórica dos trabalhadores.

O fim da escala 6×1 aprovado no Senado representa uma mudança nas regras constitucionais de duração do trabalho. A proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.

O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Como o Senado manteve o texto anteriormente aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC não precisará retornar aos deputados. A próxima etapa será a promulgação pelo Congresso Nacional.

Por se tratar de uma emenda constitucional, a proposta não depende de sanção presidencial.

Em publicação nas redes sociais, Lula celebrou a aprovação e destacou a possibilidade de os trabalhadores dedicarem mais tempo à família, ao descanso, aos estudos e à vida pessoal.

O presidente também atribuiu a aprovação à mobilização popular e agradeceu aos trabalhadores que participaram de manifestações em defesa da redução da jornada.

Fim da escala 6×1 aprovado no Senado: o que muda e quando começa?

A mudança não será aplicada imediatamente após a votação. O texto estabelece um período de transição para que empresas e trabalhadores se adaptem às novas regras.

O cronograma previsto é o seguinte:

  • Após a promulgação: inicia-se a contagem dos prazos estabelecidos na emenda constitucional.
  • Depois de dois meses: a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso remunerado.
  • Após mais 12 meses: a jornada máxima passará para 40 horas semanais, concluindo a transição em aproximadamente 14 meses.

A proposta preserva a remuneração dos trabalhadores durante a redução da carga horária.

Isso significa que a diminuição da jornada não poderá ser utilizada como justificativa para reduzir o salário dos empregados abrangidos pelas novas regras.

O texto também mantém a possibilidade de compensação de horários e organização de jornadas por meio de negociação coletiva, desde que sejam respeitados os limites constitucionais e as garantias de descanso.

Um dos dias de repouso deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), citado pela Agência Brasil, a redução da jornada poderá beneficiar aproximadamente 26,8 milhões de trabalhadores.

A mudança poderá alcançar diferentes setores da economia, especialmente atividades que utilizam escalas com seis dias consecutivos de trabalho e apenas um de folga.

Mobilização popular e debate sobre os impactos da nova jornada

A proposta de redução da jornada de trabalho ganhou força nacional com a mobilização de trabalhadores e organizações sociais que defendem mais tempo de descanso e melhores condições de vida.

O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) esteve entre os grupos que impulsionaram o debate público sobre a escala 6×1.

A PEC 221/2019, apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio deste ano e encaminhada posteriormente ao Senado.

Na Casa, o relator Omar Aziz (PSD-AM) manteve o texto aprovado pelos deputados.

Para permitir a votação nos dois turnos na mesma noite, os senadores aprovaram um requerimento de calendário especial que dispensou os intervalos regimentais entre as deliberações.

A aprovação ocorreu após discussões sobre os possíveis efeitos da mudança na economia.

Defensores da redução da jornada argumentam que dois dias de descanso semanal podem contribuir para melhorar a qualidade de vida, diminuir o desgaste dos trabalhadores e ampliar o tempo dedicado à família, à educação e ao lazer.

Representantes de setores empresariais, por outro lado, manifestaram preocupação com os custos de adaptação, especialmente para pequenos negócios e atividades que precisam funcionar durante toda a semana.

A proposta prevê a possibilidade de medidas transitórias destinadas a reduzir impactos sobre microempreendedores e pequenas empresas.

O detalhamento dessas medidas dependerá de regulamentação específica.

Próxima etapa é a promulgação

Com a aprovação nos dois turnos do Senado, a tramitação legislativa da PEC foi concluída.

O texto seguirá para uma sessão solene do Congresso Nacional, na qual será promulgado como emenda à Constituição.

Somente depois dessa etapa terão início os prazos previstos para a implementação gradual das novas regras.

A aprovação encerra uma etapa importante de uma discussão que envolve a organização do trabalho, os direitos sociais e a distribuição do tempo entre emprego e vida pessoal.

A efetividade da mudança dependerá da aplicação das novas disposições constitucionais, da fiscalização trabalhista e da adaptação das atividades econômicas.


🔍 Fontes: ICL Notícias | Agência Brasil | Senado Federal

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