Após quatro anos, Bienal do Livro de Brasília volta ao Museu Nacional

A 6ª Bienal Internacional do Livro tem início amanhã com uma programação que reúne mais de 60 autores

Bienal do Livro – (crédito: Divulgação)

A 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília (BiLB) começa amanhã com uma programação que reúne, até o próximo domingo, autores de Brasília e outros estados sob o tema Ler o amanhã. Planejado em apenas 17 dias e realizado pelo Instituto Eleva, o evento volta a ganhar a praça central do Museu Nacional da República após quatro anos sem ter sido realizado. “O tema traz uma ideia de que a leitura nos ajuda a compreender o presente, mas também a imaginar e construir o futuro. Queremos provocar uma reflexão sobre o mundo que a gente está deixando, sobre o papel da leitura, do pensamento crítico, tudo isso é uma construção que define o amanhã”, explica Stella Domenico, presidente do Instituto Eleva. “É muito diferente quando você conversa com alguém que lê e com alguém que não tem esse hábito.”

A programação tem início na terça-feira com uma mesa sobre literatura e antirracismo conduzida por Carla Akotirene e Bárbara Karine. Durante a semana, o evento recebe Gabriel, o Pensador, para falar sobre criatividade, juventude e protagonismo; Bela Gil, com uma mesa sobre alimentação e sustentabilidade; e Criolo, com uma reflexão sobre a leitura como um hábito surgido no próprio lar graças à mãe, uma professora. Djamila Ribeiro, Elisa Lucinda, Leonardo Boff e Zeca Baleiro também estão na programação. “A gente teve um pouco de problema de tempo em relação à agenda de algumas pessoas, mas procuramos pessoas que são artistas, que refletem o pensamento da sociedade. A gente não quis só reunir escritores, mas pensadores, jornalistas e músicos para discutir literatura e, a partir dela, dialogar sobre o tema que escolhemos”, explica Stella. 

A lista de autores locais traz nomes como Fernando Lopes, Jô Oliveira, João Doederlein,  Patrícia Baikal, Nurit Bensusan, Ciça Fittipaldi, Vanísia Rocha, Aline Campos-Nilva Souza, Magali Guimarães, Íris Borges, Marina Marquez, Cristiano Paulo, Lucas Gehre e Natália Aniceto. Até o início da semana passada, a Bienal também não tinha na programação autores de Brasília, que foram incluídos após um chamamento divulgado no último dia 12.

A ausência de autores de literatura de ficção entre os convidados de fora da cidade é fruto, segundo a organizadora, da falta de agenda. Stella Domenico explica que a programação ficou condicionada ao pouco tempo para a produção da Bienal, feita em menos de 20 dias e com financiamento público. O evento conta com recursos de R$ 3,3 milhões de emendas parlamentares dos deputados distritais Thiago Manzoni, Dayse Amarilio e Iolando, além de
R$ 3,5 milhões conseguidos por inexigibilidade da Lei de Licitações, num total de R$ 6,8 milhões. 

A programação foi dividida em eixos temáticos — Vozes do Amanhã, destinado aos autores, Ler o Mundo, com atividades para crianças, Conexões do Futuro, para discutir multimeios,  O Som da Leitura, que faz uma relação com a música, Economia Criativa e Livro, sobre mercado, e  Universo em Quadrinhos — que incluem Café Literário, lançamentos de livros e debates com os autores. 

Esta edição também conta com o vale-livro, uma verba de R$ 500 mil destinada à aquisição de livros para as bibliotecas de rede pública de ensino do Distrito Federal. As escolas terão a disponibilidade de transporte para levar os alunos ao evento. “A Bienal tem o propósito de fortalecer o consumo de livros para todas as idades e para o fomento da própria literatura pensando no que deixar para amanhã”, avisa Stella, que faz parte do  Conselho de Administração do Fundo de Apoio à Cultura (CAFAC) e acompanha as dificuldades do Governo do Distrito Federal (GDF) em liberar os recursos de editais, incluindo os do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, devido à crise fiscal agravada pelo impacto da falência do do Banco Master no Banco Regional de Brasília (BRB). 

“A Bienal tem fontes de recursos mais diversificadas do que as fontes do Festival”, explica, ao ser questionada sobre a existência de verba para a Bienal, mas não para o Festival, que depende de edital público. “Quando é emenda, o dinheiro está lá, é mais fácil conseguir o dinheiro da emenda que do edital, porque o deputado tem a emenda. Agora do edital, a gente não consegue acessar, que é o caso do cinema. Achei um absurdo não ter o Festival”, diz.


6ª Bienal Internacional
do Livro de
Brasília – BiLB

Até 23 de agosto, no Museu Nacional da República. Entrada gratuita, mediante retirada de ingressos no Sympla

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