Pesquisadoras alertam para influência dos algoritmos, conteúdos sintéticos e deepfakes no processo eleitoral e apontam educação midiática como parte da resposta aos riscos.
O Brasil precisa avançar na regulação das plataformas digitais e na fiscalização de conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial (IA), segundo pesquisadoras que participaram nesta terça-feira (15) do webinário “Tecnologias, IA e Eleições”.
O encontro foi promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras e reuniu especialistas para discutir os efeitos das novas tecnologias sobre a circulação de informações e o processo eleitoral.
A diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), Fernanda Rodrigues, chamou atenção para os sistemas de recomendação utilizados pelas plataformas digitais. Esses algoritmos selecionam e organizam parte significativa dos conteúdos apresentados aos usuários a partir de diferentes sinais e critérios definidos pelas empresas.
Na avaliação da pesquisadora, uma regulamentação deveria ampliar a transparência e permitir que os usuários tenham maior controle sobre a maneira como recebem conteúdos. Ela também defendeu mecanismos destinados a identificar e reduzir possíveis vieses discriminatórios nos sistemas de recomendação.
Inteligência artificial amplia desafios
A inteligência artificial ocupou parte importante da discussão. As pesquisadoras argumentaram que o desenvolvimento dessas tecnologias ocorre, em grande medida, sob controle de grandes empresas e defenderam maior participação da sociedade na construção das regras para o setor.
Larissa Santiago, cofundadora da plataforma Blogueiras Negras, afirmou que o Brasil já possui instrumentos regulatórios relevantes, mas considera necessário fortalecer a fiscalização e investir principalmente em educação midiática.
Um dos problemas apontados é a crescente dificuldade de identificar conteúdos produzidos artificialmente. Sistemas generativos conseguem criar imagens, áudios e vídeos cada vez mais realistas, tornando mais difícil distinguir registros autênticos de materiais sintéticos ou manipulados.
Esse cenário ganha importância durante períodos eleitorais devido à possibilidade de utilização de deepfakes, montagens e outros conteúdos falsificados para atribuir declarações ou comportamentos inexistentes a candidatos e outras pessoas.
Larissa também relacionou a questão tecnológica às desigualdades de gênero e raça. Na avaliação apresentada durante o evento, mulheres — especialmente mulheres negras que participam da vida pública — podem ser atingidas de maneira desproporcional por campanhas de desinformação e violência política digital.
As considerações apresentadas no webinário representam avaliações das pesquisadoras sobre os riscos e as respostas regulatórias necessárias. O debate sobre como regular as plataformas envolve diferentes propostas e também discussões sobre liberdade de expressão, transparência, responsabilidades das empresas e limites da intervenção estatal.
Eleições ampliam preocupação com conteúdos manipulados
A utilização de inteligência artificial no processo eleitoral já é objeto de regras específicas da Justiça Eleitoral. O objetivo é permitir o uso legítimo das novas tecnologias sem que conteúdos manipulados sejam apresentados aos eleitores como registros autênticos.
O avanço tecnológico, entretanto, torna a fiscalização mais complexa. Ferramentas capazes de gerar imagens, vozes e vídeos realistas estão mais acessíveis e podem produzir grandes quantidades de conteúdo em pouco tempo.
Nesse contexto, as especialistas defenderam que a resposta não seja baseada apenas na retirada de publicações. Educação digital, transparência sobre os sistemas de recomendação e responsabilização de acordo com regras previamente estabelecidas também foram apontadas como elementos necessários.
O Congresso Nacional discute diferentes propostas relacionadas às responsabilidades das plataformas e ao ambiente digital. Em debates realizados em 2026, representantes das próprias empresas também apresentaram preocupações sobre os desafios técnicos para cumprir determinadas regras eleitorais envolvendo inteligência artificial e desinformação.
A discussão regulatória envolve ainda a necessidade de preservar direitos constitucionais. Eventuais novas regras precisam compatibilizar o enfrentamento a conteúdos ilícitos e manipulações com a proteção da liberdade de expressão, do acesso à informação e do debate público.
Para as pesquisadoras participantes do webinário, a velocidade do desenvolvimento da inteligência artificial torna necessário combinar legislação, fiscalização e formação dos usuários. A educação midiática teria papel especialmente importante para ajudar a população a reconhecer conteúdos manipulados, compreender o funcionamento das plataformas e avaliar criticamente as informações recebidas durante o período eleitoral.
🔍 Fontes: Agência Brasil; Câmara dos Deputados.
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
🤖 Nota de transparência: Esta reportagem contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na organização e no aprimoramento do texto. Todo o conteúdo foi revisado, checado e editado por equipe humana antes de sua publicação.



