EUA restringem vistos de sul-africanos e citam proteção a minorias

Ceilândia em Alerta — O governo dos Estados Unidos anunciou novas restrições de vistos para determinados cidadãos da África do Sul envolvidos, segundo Washington, na elaboração ou implementação de políticas relacionadas à apropriação de terras, discriminação racial ou incitação à violência contra minorias étnicas e raciais. A medida foi anunciada nesta terça-feira (15/9) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Segundo Rubio, as restrições atingem pessoas consideradas responsáveis ou cúmplices pela formulação ou aplicação de leis e políticas que, na avaliação do governo norte-americano, permitam a apropriação indevida de terras, a discriminação racial ou a incitação à violência contra grupos minoritários.

No anúncio, Rubio citou os afrikaners, grupo formado majoritariamente por descendentes de colonizadores europeus, como exemplo de uma minoria que, segundo o governo dos EUA, estaria sendo alvo de perseguição na África do Sul.

Os afrikaners tiveram participação histórica no sistema de segregação racial conhecido como apartheid, que vigorou oficialmente na África do Sul entre 1948 e 1994. O regime estabeleceu políticas de segregação e discriminação contra a população negra e outros grupos não brancos.

Conflito entre Washington e Pretória

A nova medida ocorre em meio ao agravamento das relações entre os governos dos Estados Unidos e da África do Sul. A administração de Donald Trump tem feito críticas às políticas de reforma agrária e de combate às desigualdades raciais adotadas pelo governo do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

Trump também já afirmou que agricultores brancos estariam sendo perseguidos na África do Sul e utilizou a expressão “genocídio contra brancos” para se referir à situação. O governo sul-africano rejeita essas acusações. A Reuters informou que não há evidências públicas que sustentem a existência de um genocídio contra a população branca no país.

Em relação à reforma agrária, a legislação sul-africana prevê mecanismos para a expropriação de terras em determinadas circunstâncias. O governo de Ramaphosa afirma que a política busca enfrentar desigualdades fundiárias herdadas do período do apartheid.

A decisão anunciada por Rubio se soma a outras mudanças implementadas pela administração Trump na política migratória e de concessão de vistos. O Departamento de Estado mantém diferentes restrições e exigências aplicáveis a cidadãos de vários países, embora as novas medidas anunciadas em relação à África do Sul tenham como alvo determinadas pessoas e condutas, e não constituam uma suspensão geral de vistos para todos os sul-africanos.

Fonte: Metrópoles/Reuters.

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