Ceilândia em Alerta — A terça-feira (15/9) foi marcada por chuva forte, ventos intensos, congestionamentos, manifestações e um amplo esquema de segurança na região da Praça dos Três Poderes, em Brasília. A movimentação ocorreu durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou se seria aberta uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no contexto do chamado Caso Master.
Desde as primeiras horas da manhã, quem circulava pelo Eixo Monumental encontrou um esquema especial de segurança nas proximidades do Supremo. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) reforçou o policiamento para garantir o andamento da sessão e evitar ocorrências na área.
Segundo o porta-voz da PMDF, major Raphael Broocke, a corporação iniciou um patrulhamento específico na região ainda na noite de segunda-feira (14/9). O objetivo, segundo ele, era impedir a aproximação de veículos considerados suspeitos.
O esquema contou com câmeras do sistema DF 360, drones e cães farejadores. O perímetro aéreo da Praça dos Três Poderes foi fechado e, segundo as informações divulgadas durante a operação, um drone que sobrevoava a área do STF sem autorização foi derrubado. O Batalhão de Cães também realizou uma varredura na praça em busca de possíveis materiais explosivos.
Antes do início da sessão, por volta das 10h30, jornalistas se concentraram nos arredores do Supremo. O acesso ao público ocorreu inicialmente sem grandes restrições nas vias próximas à Corte. Um grupo de sete pessoas chegou a fazer uma oração em círculo, de mãos dadas, acompanhado pelo senador Magno Malta (PL).
Manifestação no canteiro central
Por volta das 9h, apoiadores do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) e da candidata ao Senado Bia Kicis (PL) se reuniram no canteiro central localizado em frente à Alameda das Nações. O espaço havia sido previamente reservado e autorizado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF).
Os manifestantes entoaram palavras de ordem contra Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também utilizaram roupas e adereços predominantemente verdes e amarelos e exibiram faixas com mensagens de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Durante o ato, participantes também defenderam a liberdade do ex-presidente e fizeram críticas ao que consideram perseguição política.
O brasiliense Danilo Ramos, de 41 anos, afirmou ser contrário às decisões de Alexandre de Moraes. Segundo ele, o ministro teria ultrapassado “os limites do bom senso”. Ramos também fez acusações relacionadas ao Caso Master e disse acreditar no início de uma transformação no Judiciário.
Outro manifestante, José Caldeira, de 54 anos, viajou de Minas Gerais para participar do ato. Ele afirmou que o grupo não é contrário às instituições, mas defende mudanças na condução dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro.
Célia Regina, que acompanhava o protesto, falou sobre a situação da irmã, Adalgiza, detida em decorrência dos acontecimentos de 2023. Ela afirmou acreditar que “o bem tem que prevalecer” e fez críticas ao cenário político brasileiro.
Congestionamentos e ocorrência policial
No início da tarde, após a dispersão do ato principal, o Eixo Monumental registrou pontos de congestionamento. Três faixas da via foram temporariamente interditadas pelo Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), segundo as autoridades, para preservar a segurança dos pedestres e das equipes policiais que trabalhavam na região.
Por volta das 12h, o sistema de monitoramento identificou uma movimentação considerada suspeita em um ponto de ônibus em frente ao STF. Policiais militares abordaram um homem e encontraram com ele uma porção de substância semelhante à maconha.
De acordo com o major Raphael Broocke, o homem informou que responde em liberdade por tráfico de drogas. A Polícia Civil foi acionada para verificar o histórico do abordado. A PMDF informou que ele não foi preso e que, naquele momento, não havia indícios de relação entre a ocorrência e as manifestações ou o julgamento no Supremo.
Chuva e ventos fortes
Durante a tarde, uma mudança brusca nas condições climáticas atingiu a região da Praça dos Três Poderes. Uma forte chuva acompanhada de rajadas de vento surpreendeu manifestantes, jornalistas e equipes de segurança.
A ventania derrubou grades de proteção instaladas nas proximidades do Congresso Nacional e uma tenda utilizada por equipes de vigilância do STF e por jornalistas. Não houve registro de feridos.
Apesar da chuva e dos ventos, o trânsito continuou funcionando sem interrupções graves ao longo da tarde.
Manifestação individual à noite
No início da noite, o movimento no entorno do STF diminuiu. A área permaneceu sob o esquema especial de segurança da PMDF e apenas uma manifestante permaneceu no local.
A ativista Mari Miola, de 38 anos, ficou em frente à Corte segurando uma faixa com as frases “nós não devemos ter medo” e “o Supremo é o povo”.
Ela afirmou que considera importante que a população se manifeste diante do cenário político. Após o protesto individual, Mari foi orientada por policiais militares de que não era permitida a realização de manifestações no perímetro imediato do edifício do STF.
O policiamento especial permaneceu na região durante a noite.



