Levantamento mostra que mulheres representam somente 16,4% das candidaturas aos governos estaduais nas eleições de 2026, apesar de serem maioria entre os eleitores brasileiros.
As eleições de 2026 terão 195 candidaturas aos governos estaduais, mas apenas 32 são encabeçadas por mulheres, o equivalente a 16,4% do total. O número contrasta com a participação feminina no eleitorado brasileiro: as mulheres representam 52,8% dos eleitores.
O levantamento também evidencia uma desigualdade ainda maior quando gênero e raça são analisados conjuntamente. Das 32 candidatas, somente 12 são mulheres negras, entre pessoas que se declararam pretas ou pardas.
A baixa presença feminina nas disputas majoritárias revela que a ampliação da participação das mulheres na política ainda enfrenta obstáculos importantes, especialmente nas eleições para cargos do Poder Executivo.
Esquerda concentra maioria das candidaturas femininas
Entre as 32 mulheres que disputam os governos estaduais, 17 estão filiadas a partidos de esquerda, correspondendo a 53,1% do total. Desse grupo, 12 são candidatas pela Unidade Popular (UP).
Um dado chama atenção: o Partido dos Trabalhadores (PT) não lançou nenhuma mulher como cabeça de chapa na disputa pelos governos estaduais em 2026.
Outro desafio está na competitividade eleitoral. A maioria das candidatas está em partidos menores, com menor acesso a tempo de propaganda e recursos dos fundos partidários. Segundo o levantamento, apenas oito candidaturas femininas apresentam maior competitividade nas urnas.
Entre elas estão Celina Leão, no Distrito Federal; Maria do Carmo, no Amazonas; Natasha Slhessarenko, no Mato Grosso; Professora Dorinha, no Tocantins; Hana Gassan, no Pará; Juliana Brizola, no Rio Grande do Sul; Raquel Lyra, em Pernambuco; e Mailza Assis, no Acre.
São Paulo concentra o maior número de mulheres na disputa pelo governo estadual, com quatro candidatas. Nenhuma delas, contudo, havia ultrapassado 2% nas pesquisas mencionadas pelo levantamento.
Os números mostram que a participação feminina na política brasileira ainda está distante de refletir a composição do eleitorado. A baixa presença de mulheres, especialmente de mulheres negras, nas disputas pelos governos estaduais evidencia a permanência de barreiras partidárias, financeiras e políticas para o acesso aos espaços de poder.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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