Ceilândia em Alerta – A puberdade precoce ocorre quando os sinais de maturação sexual aparecem antes do período considerado esperado para a idade. A condição é mais frequente entre meninas e pode trazer impactos físicos e emocionais, além de estar associada a riscos para a saúde ao longo da vida. As informações são da BBC News, em reportagem reproduzida pelo Correio Braziliense.
Um dos casos relatados é o de Gabby, que começou a menstruar e a apresentar pelos no corpo aos seis anos, na Inglaterra. Atualmente com 26 anos, ela foi diagnosticada com puberdade precoce central (PPC), condição caracterizada pelo início da puberdade antes dos oito anos nas meninas e dos nove anos nos meninos.
Segundo Gabby, o diagnóstico demorou cerca de um ano. Ela passou por exames, consultas com especialistas e uma ressonância magnética do cérebro antes de iniciar o tratamento com medicamentos conhecidos como agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH).
As aplicações interrompem temporariamente a progressão da puberdade e permitem que o desenvolvimento da criança acompanhe um ritmo mais próximo do esperado para sua idade. O tratamento costuma ser interrompido quando a criança chega à fase em que a puberdade normalmente começaria.
Quais são os tipos de puberdade precoce?
Existem dois tipos principais da condição.
A puberdade precoce central é a forma mais comum. Ela ocorre quando o organismo ativa antecipadamente o mecanismo hormonal responsável pela puberdade. Em muitos casos, não é possível identificar uma causa específica.
Já a puberdade precoce periférica ocorre quando os ovários ou os testículos passam a produzir hormônios sexuais sem a ativação normal do sistema controlado pelo hipotálamo. Essa forma pode estar relacionada a problemas de saúde, como alterações nas glândulas, tumores ou exposição a hormônios externos.
Por que a condição ocorre?
Os médicos ainda investigam os fatores que podem desencadear a puberdade precoce. Entre as possíveis causas estão alterações genéticas, obesidade, fatores ambientais e determinadas condições neurológicas.
Pesquisas também identificaram alterações no gene MKRN3 associadas à puberdade precoce central. A descoberta ajudou médicos a compreender melhor alguns casos familiares da doença.
A endocrinologista da Universidade de São Paulo (USP) Ana Pinheiro Machado Canton relata que já tratou crianças muito pequenas com a condição. Segundo ela, nos casos mais extremos, alterações no hipotálamo e tumores cerebrais podem estar relacionados ao início antecipado da puberdade.
A obesidade infantil também é considerada um fator que merece atenção. O tecido adiposo pode alterar os níveis de hormônios no organismo, como o estrogênio e a leptina, e pesquisadores investigam a relação dessas alterações com o início antecipado da puberdade.
Meninas são mais afetadas
A condição atinge principalmente meninas. Estimativas internacionais indicam uma ocorrência muito maior entre elas do que entre os meninos.
Um estudo realizado na Dinamarca com mais de 8,5 mil crianças identificou aumento da incidência de puberdade precoce central ao longo de duas décadas. Pesquisas realizadas em outros países também apontaram crescimento dos diagnósticos.
Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que as meninas são mais afetadas, mas consideram que fatores biológicos, ambientais e genéticos podem atuar conjuntamente.
Consequências para a saúde
Quando não é diagnosticada e tratada adequadamente, a puberdade precoce pode provocar consequências físicas e emocionais.
Como os hormônios sexuais aceleram o amadurecimento dos ossos, crianças que entram na puberdade muito cedo podem ter o crescimento interrompido mais rapidamente e atingir uma estatura final menor.
Além dos efeitos físicos, existe também o impacto psicológico. Uma criança que apresenta mudanças corporais muito antes dos colegas pode enfrentar constrangimento, dificuldades de adaptação e sensação de isolamento.
Estudos populacionais também encontraram associação entre o início precoce da puberdade e maior risco, na vida adulta, de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer relacionados aos hormônios sexuais, incluindo câncer de mama e de endométrio.
Diagnóstico precoce é fundamental
Especialistas ressaltam que identificar a condição rapidamente permite iniciar o tratamento quando necessário e reduzir seus impactos. Os bloqueadores hormonais utilizados atualmente são considerados eficazes para interromper temporariamente a progressão da puberdade em casos indicados pelos médicos.
Famílias que percebem sinais de desenvolvimento sexual muito antes do esperado devem procurar avaliação médica, especialmente com pediatra ou endocrinologista pediátrico. O diagnóstico depende da análise clínica e, quando necessário, de exames hormonais, de imagem e genéticos.
Para famílias que convivem com a condição, a informação também pode ajudar a diminuir o estigma. Gabby, que passou pela experiência ainda criança, hoje utiliza as redes sociais para falar sobre o assunto e incentivar outras pessoas a procurarem ajuda.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



