Ocupação reúne cerca de 600 famílias em São Sebastião, enquanto mais de 100 mil domicílios do DF enfrentam algum tipo de déficit habitacional.
O Acampamento Leidiane Ribeiro, organizado pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), completou um mês nesta terça-feira (18) em São Sebastião, no Distrito Federal. Cerca de 600 famílias ocupam uma área da União em busca de moradia digna e de uma solução definitiva para a situação habitacional.
A mobilização ocorre em meio a um cenário de déficit habitacional que atinge aproximadamente 100.701 domicílios no Distrito Federal, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IpeDF). O número corresponde a cerca de 10% das residências da capital.
A situação inclui famílias que vivem em condições precárias, enfrentam custos elevados de aluguel ou precisam dividir o mesmo imóvel com outras famílias por falta de condições financeiras.
O acampamento vem sendo acompanhado por representantes do governo federal, do Governo do Distrito Federal e parlamentares que participam das negociações. Até o momento, porém, o GDF não apresentou uma proposta de realocação para as famílias.
Segundo representantes do MNLM, os moradores também enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso à água, alimentação e banheiros. A permanência no local ocorre sob lonas e em condições consideradas precárias.
Déficit habitacional expõe problemas estruturais
Os dados do IpeDF apontam que o principal componente do déficit habitacional no Distrito Federal é o peso do aluguel no orçamento familiar. Cerca de 66.917 famílias comprometem 30% ou mais da renda com aluguel, dentro de uma faixa de renda de até três salários mínimos.
A habitação precária aparece em seguida, atingindo 20.515 domicílios. Outros 15.163 enfrentam situações de coabitação familiar.
Ceilândia concentra o maior número de domicílios em situação de déficit habitacional, com 18.352 casos, seguida por Taguatinga, Samambaia e Planaltina.
Movimentos populares apontam que o problema está relacionado à falta de políticas habitacionais suficientes, à especulação imobiliária e à dificuldade de acesso à terra urbanizada.
Além da falta de moradia, a situação interfere diretamente na vida cotidiana das famílias, afetando o acesso ao trabalho, à escola, à alimentação e a outros serviços essenciais.
Codhab tem mais de 300 mil inscritos
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) informou que possui cerca de 308 mil pessoas inscritas em seus programas habitacionais. Desse total, 132.037 estão habilitadas para concorrer às unidades disponíveis.
Segundo o órgão, a entrega das moradias depende da posição dos candidatos na lista, da disponibilidade de novos empreendimentos e dos recursos públicos.
Para 2026, a previsão informada é de 556 novas unidades habitacionais no Sol Nascente. No primeiro semestre deste ano, foram entregues 1.158 imóveis.
As inscrições nos programas habitacionais da Codhab são gratuitas e podem ser realizadas pelo portal da companhia ou pelo aplicativo Codhab Cidadão.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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