Ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação também propõe escolas em período integral e maior participação do governo federal no ensino básico
Ceilândia em Alerta — O ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque defendeu a criação de um sistema nacional, único e público de educação básica, com uma carreira nacional para professores financiada pelo governo federal. A proposta foi apresentada durante entrevista ao Podcast do Correio, em meio ao retorno de Cristovam à disputa eleitoral nas eleições de 2026.
Aos 82 anos, Cristovam voltou ao cenário político e disputa uma vaga de deputado federal pelo PSB. Ele também integra a chapa de Ricardo Cappelli na corrida pelo Governo do Distrito Federal. Durante a entrevista, o ex-governador voltou a colocar a educação no centro de suas propostas e afirmou que o país precisa estabelecer um padrão nacional de qualidade para o ensino.
Segundo Cristovam, a desigualdade na educação brasileira está diretamente relacionada à diferença de capacidade financeira entre os municípios. Para ele, enquanto a qualidade das escolas depender dos recursos disponíveis em cada cidade, será difícil garantir oportunidades semelhantes para crianças e adolescentes de diferentes regiões do país.
A proposta defendida pelo ex-governador prevê que o governo federal seja responsável pelo financiamento de uma carreira nacional para professores. O modelo também envolveria a definição de padrões nacionais para equipamentos, estrutura física e funcionamento das unidades de ensino.
Cristovam também defendeu que as escolas funcionem em período integral. Na avaliação dele, a prioridade do país deve estar na educação básica, antes de concentrar esforços apenas na ampliação do acesso ao ensino superior.
O ex-ministro considera que a União precisa assumir uma responsabilidade maior pela educação básica, especialmente em áreas onde municípios não possuem recursos suficientes para manter uma estrutura educacional considerada adequada.
Educação no centro das políticas públicas
Professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam afirmou que o governo federal deve ter papel fundamental na erradicação do analfabetismo entre adultos e na implantação de um sistema nacional de educação de base.
Durante a entrevista, ele também criticou a maneira como os campos políticos tradicionalmente discutem a educação. Na avaliação do ex-governador, setores da esquerda costumam abordar o tema principalmente a partir dos interesses dos professores e trabalhadores, enquanto a direita tende a observá-lo pela perspectiva dos proprietários de escolas.
Para Cristovam, nenhuma dessas visões coloca a criança como elemento central da política educacional. A proposta defendida por ele busca estabelecer um padrão nacional de ensino, independentemente da capacidade financeira de cada município.
Retorno à política
Cristovam contou que inicialmente não pretendia voltar a disputar eleições. Após deixar a vida eleitoral, em 2018, ele se dedicou à produção de livros e outros trabalhos. Nesse período, escreveu dez obras e manteve projetos em andamento.
De acordo com o ex-governador, o retorno à política ocorreu depois de receber cobranças para voltar à disputa eleitoral e diante da percepção de que a direita havia ampliado seu espaço político no Distrito Federal.
Na avaliação de Cristovam, o atual cenário político brasileiro não deve ser interpretado apenas como uma disputa entre esquerda e direita. Ele afirmou que a polarização também está relacionada à disputa entre lideranças e defendeu o surgimento de uma alternativa capaz de apresentar propostas que ultrapassem essa divisão.
Disputa pelo Palácio do Buriti
Ao comentar as eleições para o Governo do Distrito Federal, Cristovam avaliou que o PT possui condições de chegar ao segundo turno, mas afirmou considerar que Ricardo Cappelli teria maiores possibilidades de avançar e vencer a disputa.
O ex-governador atribuiu sua avaliação ao cenário de antipetismo existente no Distrito Federal e destacou a necessidade de uma alternativa política capaz de dialogar com diferentes setores do eleitorado.
Cristovam também foi questionado sobre a crise envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Para enfrentar o problema, defendeu a responsabilização dos envolvidos, a recuperação dos recursos e uma negociação entre o governo federal, o Banco Central, a Caixa Econômica Federal e os servidores para buscar o reequilíbrio das contas.
Nota de transparência: Esta matéria foi produzida a partir de informações publicadas originalmente pelo Correio Braziliense, com reescrita e auxílio de inteligência artificial, seguida de revisão editorial.


