Exposição na Biblioteca Nacional de Brasília celebra ancestralidade e memória do Candomblé

Luan Brasil: "Eu acredito que tem muito do meu olhar, mas ele não está sozinho. Foi pensado e construído em comunidade" - (crédito: Minervino Júnior/CB)

Mostra reúne fotografias de Luan Brasil e apresenta ao público registros do cotidiano, da religiosidade e dos saberes ancestrais de um terreiro de Candomblé do Distrito Federal

Ceilândia em Alerta — A memória, a identidade e os saberes ancestrais estão no centro da exposição “Olhar Ancestral — 24 anos do Ilé Àse Òjúna Soroke Efon”, aberta nesta segunda-feira (18/8), na Biblioteca Nacional de Brasília. A mostra reúne fotografias do artista Luan Brasil e apresenta registros do cotidiano e das tradições do terreiro de Candomblé da nação Efon onde ele cresceu.

Com o tema “A fotografia como instrumento de memória, identidade e preservação dos saberes ancestrais”, a exposição busca levar ao espaço público diferentes aspectos da vida dentro do terreiro, desde momentos de celebração religiosa até cenas do cotidiano e da convivência entre gerações.

Fotógrafo, pesquisador e gestor cultural, Luan Brasil é filho dos sacerdotes Bàbálórísà Veber Ti Soroke e Ìyá Efun Alatundè, ligados ao Ilé Àse Òjúna Soroke Efon. O nome do terreiro pode ser traduzido do yorubá como “A Casa de Força dos Olhos de Fogo de Soroke”. Além da atuação artística, Luan também ocupa uma função religiosa na casa.

Para o fotógrafo, transformar em imagens aquilo que fez parte de sua própria trajetória foi um processo desafiador, mas também marcado pela gratidão. A exposição, segundo ele, permite que pessoas de fora do terreiro tenham contato com a cultura, a religiosidade e as formas de organização e convivência presentes naquele espaço.

Fotografias que mostram o cotidiano

A curadoria da exposição reúne três perspectivas: a do Bàbálórísà Veber, pai de Luan; a do professor da Universidade de São Paulo (USP) Fausto Viana; e a da mestra Maria Eduarda Borges, também da USP.

Fausto Viana destaca que um dos objetivos da mostra é aproximar o público de uma realidade que muitas vezes permanece desconhecida ou cercada por preconceitos. As fotografias registram situações simples do cotidiano, como o preparo de alimentos e a convivência entre familiares, além de momentos relacionados aos rituais religiosos.

A proposta é justamente apresentar o terreiro para além dos estereótipos e mostrar que seus costumes e manifestações fazem parte da formação cultural brasileira.

Para Luan, o trabalho fotográfico não representa apenas seu olhar individual. A construção das imagens está diretamente ligada à comunidade da qual faz parte e à relação entre diferentes gerações.

A exposição parte da ideia de que olhar para o passado ajuda a compreender o presente e pensar no futuro. Dessa maneira, as fotografias funcionam como registros de uma memória que tradicionalmente é transmitida principalmente pela oralidade.

Ancestralidade e combate à intolerância

A mostra também aborda a relação entre ancestralidade e resistência diante do histórico de intolerância religiosa enfrentado por comunidades de matriz africana no Brasil.

Segundo o Bàbálórísà Veber, ocupar espaços públicos com manifestações da cultura de terreiro representa uma forma de combater o preconceito e ampliar o conhecimento sobre essas tradições. A presença da exposição na Biblioteca Nacional de Brasília é vista pela organização como uma oportunidade de aproximar diferentes públicos da realidade dessas comunidades.

Dados do Mapeamento dos Terreiros do Distrito Federal, realizado pela Universidade de Brasília (UnB) em 2018, apontam a existência de 330 terreiros de religiões de matriz africana no DF.

Registros de pessoas e histórias

As fotografias também apresentam personagens que fazem parte da rotina do terreiro. Algumas das pessoas retratadas ainda não sabiam que suas imagens fariam parte da exposição. Ao descobrirem que estavam entre os registros, as reações foram marcadas principalmente por surpresa, orgulho e felicidade.

Mais do que uma mostra fotográfica, “Olhar Ancestral” procura transformar em imagem uma memória construída entre gerações. Para Luan Brasil, a exposição representa também uma forma de autoafirmação e de reconhecimento da identidade daqueles que fazem parte da comunidade de terreiro.

Serviço

A exposição “Olhar Ancestral — 24 anos do Ilé Àse Òjúna Soroke Efon” permanece aberta ao público até 17 de setembro, no segundo andar da Biblioteca Nacional de Brasília.

A entrada é gratuita. Escolas e universidades também podem agendar visitas acompanhadas por um arte-educador. A realização é do Instituto Ojuina e parceiros, com fotografias de Luan Brasil e curadoria de Babalorixá Veber Brasil, Fausto Viana e Maria Eduarda Borges.

Nota de transparência: Esta matéria foi produzida a partir de informações publicadas originalmente pelo Correio Braziliense, com reescrita e auxílio de inteligência artificial, seguida de revisão editorial.

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