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Brasil Soberano 3 começa a receber pedidos de empréstimos de empresas

Foto: REUTERS/Jorge Silva

Ceilândia em Alerta — Empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio já podem solicitar financiamentos do Plano Brasil Soberano. A terceira fase do programa disponibiliza R$ 22,6 bilhões em crédito e também contempla setores considerados estratégicos para a economia brasileira.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta quinta-feira (17) o protocolo para que empresários possam se habilitar às linhas de financiamento.

Do total previsto, R$ 13,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões serão disponibilizados pelo próprio BNDES, banco estatal vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O programa também inclui empresas de setores considerados indispensáveis, como fertilizantes e minerais críticos.

Terceira fase do Brasil Soberano

O programa foi criado em 2025 como uma das medidas adotadas pelo governo brasileiro para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A segunda etapa, lançada em 2026, passou a contemplar também negócios prejudicados pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.

A terceira fase amplia novamente o público que pode ter acesso ao crédito. A medida ocorre em um cenário de mudanças nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e de busca por alternativas para reduzir os impactos das tarifas sobre empresas brasileiras.

Entre os grupos que podem receber os financiamentos estão:

  • Grupo 1: empresas exportadoras de bens e seus fornecedores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos;
  • Grupo 2: empresas de setores industriais relevantes para o comércio exterior ou considerados estratégicos para a transição para uma economia de baixo carbono;
  • Grupo 3: empresas exportadoras de bens e seus fornecedores que comercializam produtos com países do Golfo Pérsico.

Fazem parte do segundo grupo empresas dos setores têxtil, químico, farmacêutico e automotivo, além de companhias ligadas a minerais críticos, máquinas e equipamentos.

A nova rodada de crédito amplia uma iniciativa que já havia sido anunciada em julho, quando o governo informou a criação de R$ 18,5 bilhões em linhas para empresas atingidas pelas tarifas norte-americanas.

Quais empresas podem ter acesso

Para empresas diretamente afetadas pelo tarifaço ou pelos impactos de conflitos no Oriente Médio, existem critérios específicos para a habilitação.

Uma das condições estabelecidas é que pelo menos 1% do faturamento da empresa tenha origem no comércio com os países envolvidos.

A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas às empresas brasileiras que enfrentam mudanças no cenário do comércio exterior.

Empresários podem consultar a elegibilidade da empresa por meio do sistema disponibilizado para o programa antes de encaminhar o pedido de financiamento.

Para que o dinheiro pode ser usado

Os recursos poderão ser destinados a diferentes finalidades, entre elas capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos e projetos de investimento.

As linhas também podem atender empresas que precisem adaptar produtos e processos às exigências de outros mercados ou ampliar sua atuação internacional.

A iniciativa está relacionada às medidas anunciadas pelo governo para apoiar os setores mais atingidos pelas novas tarifas dos Estados Unidos. Entre os segmentos identificados como mais afetados estão madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

O tema ganhou importância à medida que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras diminuiu em 2026. Dados divulgados em julho apontaram que a fatia norte-americana nas vendas externas brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% no primeiro semestre do ano.

A busca por novos destinos para os produtos brasileiros também passou a fazer parte das estratégias discutidas em meio ao cenário de tarifas. O governo tem defendido a diversificação dos mercados internacionais como uma das alternativas para reduzir a dependência de determinados parceiros comerciais.

Taxas de juros

As taxas informadas para os financiamentos variam conforme o porte da empresa e a finalidade dos recursos.

De acordo com as informações divulgadas sobre a terceira fase, os juros podem variar de 4,3% a 17,5% ao ano.

As empresas interessadas devem observar as regras específicas de cada linha antes de apresentar a solicitação. O envio do pedido não significa aprovação automática do financiamento, que ainda depende da análise da instituição financeira responsável pela operação.

A nova etapa do programa mantém o foco no apoio às empresas atingidas pelas barreiras comerciais e amplia o atendimento para setores considerados estratégicos, incluindo fertilizantes e minerais críticos.

A discussão sobre o apoio às empresas exportadoras ocorre desde o início das novas tarifas. Em julho, o governo já havia anunciado medidas para apoiar os setores afetados pelas tarifas dos Estados Unidos.

A terceira fase do Brasil Soberano começa, portanto, com um volume maior de recursos e novas possibilidades de enquadramento para empresas que atuam no comércio internacional e em setores considerados estratégicos.

Fonte: Agência Brasil

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