50 anos da morte de JK: Brasília, como poderei viver sem a tua companhia

Há 50 anos, a morte de Juscelino Kubitschek encerrou a trajetória de um dos principais personagens da história política brasileira e do processo de construção de Brasília. A primeira parte desta reportagem especial relembra os últimos meses de vida do ex-presidente, a perseguição sofrida durante a ditadura militar e acontecimentos que antecederam a tragédia de 22 de agosto de 1976, segundo reportagem especial de Jorge Henrique Cartaxo publicada pelo Correio Braziliense.

O corpo de JK foi sepultado na noite de 23 de agosto de 1976, no Campo da Esperança, em Brasília, diante de uma multidão de aproximadamente 300 mil pessoas. Candangos acompanharam o cortejo desde a Catedral de Brasília até o cemitério, em um percurso de cerca de oito quilômetros.

Entre os presentes estava o jornalista Silvestre Gorgulho, que acompanhou o cortejo e relembrou a comoção provocada pela morte do ex-presidente. O corpo de Juscelino foi levado pelos próprios candangos, enquanto a multidão cantava Peixe Vivo, música preferida de JK, e o Hino Nacional.

“Não houve honras oficiais, nem salões ou palácios da cidade que ele fez construir. Apenas a casa de Deus, as ruas e as orações candangas”, recordou Gorgulho.

Primeiro alerta

Meses antes da morte de JK, sinais de preocupação com a segurança do ex-presidente já haviam sido registrados.

Em 17 de fevereiro de 1976, o jornalista Roberto Marinho teria visitado Juscelino no Rio de Janeiro e levado um alerta atribuído ao então ministro da Justiça, Armando Falcão. Segundo o relato, militares planejariam ações contra a vida do ex-presidente.

A preocupação aumentou em agosto daquele ano, quando começou a circular pelo país a falsa informação de que Juscelino havia morrido em um acidente automobilístico na estrada Rio-São Paulo.

A notícia mobilizou jornalistas e fotógrafos, que procuraram familiares e amigos do ex-presidente. Juscelino estava em sua propriedade em Luziânia quando foi surpreendido pela movimentação.

Vera Brant, amiga de JK, teria se deslocado de Brasília para conversar com ele. Diante da situação, ela teria alertado o ex-presidente sobre a possibilidade de a falsa notícia ter sido utilizada para medir a reação da população a uma eventual morte.

O desmentido foi divulgado na noite seguinte, durante o programa Fantástico, da TV Globo.

Perseguição durante a ditadura

A possibilidade de atentados contra JK não era uma novidade no período da ditadura militar. Em 1968, veio à tona o chamado caso Para-Sar, envolvendo um plano atribuído ao brigadeiro João Paulo Burnier.

Segundo os relatos sobre o episódio, o plano previa atentados contra empresas norte-americanas e outros alvos no Rio de Janeiro, com o objetivo de criar um cenário de caos que pudesse ser atribuído a grupos de esquerda. Posteriormente, líderes civis da oposição seriam sequestrados e mortos.

Entre os nomes apontados como possíveis alvos estavam Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, Jânio Quadros e Dom Hélder Câmara, além de militantes da oposição.

O capitão Sérgio Miranda de Carvalho, conhecido como Sérgio Macaco, teria se recusado a participar da operação e denunciado o plano a seus superiores.

O episódio ocorreu meses antes da edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, que ampliou os poderes do regime militar e intensificou a repressão política.

O período de maior repressão

Na década de 1970, a violência política continuou. Em janeiro de 1971, o ex-deputado federal Rubens Paiva foi assassinado nas dependências do DOI-CODI do II Exército, em São Paulo.

A situação começou a ganhar novos contornos políticos após a vitória do MDB nas eleições de 1974. No mesmo período, o presidente Ernesto Geisel passou a defender uma política de abertura gradual, descrita como uma distensão “lenta, gradual e segura”.

Mesmo assim, episódios de violência continuaram sendo registrados.

Em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog morreu após ser torturado nas dependências do DOI-CODI em São Paulo. Três meses depois, em janeiro de 1976, o operário e sindicalista Manoel Fiel Filho também morreu sob custódia do mesmo órgão.

O general Ednardo D’Ávila Mello, comandante do II Exército, foi demitido três dias depois da morte de Fiel Filho.

Em abril de 1976, a estilista Zuzu Angel morreu em um acidente de carro no Rio de Janeiro. Ela havia se dedicado à busca pelo filho, Stuart Angel, preso, torturado e morto pela ditadura em 1971.

Atentados e crise militar

O ambiente político continuou marcado pela violência. Em 19 de agosto de 1976, poucos dias antes da morte de JK, uma bomba explodiu na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. Outro artefato foi encontrado e desativado na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Três dias depois, em 22 de agosto, Juscelino Kubitschek morreu em um acidente automobilístico.

A década seguinte também seria marcada por atentados relacionados à resistência à abertura política. Em 1980, uma carta-bomba matou Lyda Monteiro, secretária da presidência da OAB. No ano seguinte, uma bomba explodiu durante um show no Riocentro, matando o sargento do Exército Guilherme do Rosário e ferindo o capitão Wilson Dias Machado.

Os episódios contribuíram para expor as disputas internas existentes dentro do regime militar e a resistência de setores das Forças Armadas ao processo de abertura política.

Última viagem

Dois dias antes da morte, em 20 de agosto de 1976, JK embarcou em Brasília em um avião da Vasp com destino a São Paulo. Entre os passageiros estavam o então senador José Sarney, sua esposa Marly, o ex-senador Franco Montoro e o ex-deputado federal Ulysses Guimarães.

Por causa do mau tempo em Congonhas, a aeronave foi desviada para Viracopos, em Campinas.

Durante a viagem, Juscelino conversou com Ulysses Guimarães e Franco Montoro sobre o cenário político brasileiro. O país vivia um momento de transformação após o avanço eleitoral do MDB em 1974 e a discussão sobre a abertura política.

JK demonstrava entusiasmo com a retomada de sua presença na vida pública. Antes do embarque, chegou a dar autógrafos no aeroporto de Brasília.

Durante o voo, o comandante Sérgio anunciou aos passageiros a presença do ex-presidente. A informação foi recebida com aplausos.

Naquele momento, Juscelino ainda não sabia que aquela seria uma de suas últimas viagens e que, dois dias depois, sua trajetória seria interrompida em um acidente que, décadas mais tarde, continuaria cercado por questionamentos e suspeitas.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias