Fernando Haddad rejeitou nesta quinta-feira a leitura de que sua entrada na disputa pelo governo de São Paulo representaria um gesto de “sacrifício” político. Durante o lançamento de sua pré-candidatura, o petista afirmou que entra no processo eleitoral com disposição de vitória e disse que enfrentar a disputa no maior colégio eleitoral do país é, para ele, um “grande privilégio”.
O ato foi realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros do governo federal. O evento marcou publicamente a entrada de Haddad na corrida estadual e procurou consolidar seu nome como principal aposta do PT para enfrentar o atual governador, Tarcísio de Freitas.
Ao rebater a tese de que aceitou a candidatura apenas por dever partidário, Haddad foi enfático ao defender que não encara a disputa como resignação, mas como compromisso político e chance real de vitória. “Quando eu vejo notícia de que o Haddad está indo para o sacrifício, eu digo, essa pessoa ainda não sentou comigo para tomar um chope, porque se ela me conhecesse, ela jamais diria que entrar no ringue por essa boa causa é um sacrifício para mim. É um grande privilégio lutar ao lado de vocês”, afirmou.
A declaração sintetiza a mensagem central do lançamento: o PT quer mostrar que Haddad não será um candidato protocolar nem um nome escalado apenas para compor palanque, mas um postulante disposto a travar a disputa em condições de competitividade. Em outro trecho do discurso, ele reforçou que o sentido da campanha é disputar o poder, e não apenas marcar posição. “Você pode ter uma derrota eleitoral em qualquer eleição, todos nós aqui já passamos por eleições, já ganhamos, já perdemos, mas uma derrota política você nunca precisa ter, e a maneira correta de fazer uma eleição é ir para o embate para ganhar a eleição”, disse.
A fala ocorre após um período de resistência de Haddad em aceitar voltar a concorrer. Ex-ministro da Fazenda, ele deixou a pasta no mesmo dia em que lançou sua pré-candidatura e, de acordo com a reportagem, vinha demonstrando hesitação diante da perspectiva de entrar novamente em uma eleição difícil em São Paulo. Em 2022, Haddad foi derrotado no segundo turno por Tarcísio de Freitas, que agora tentará a reeleição cercado por altos índices de aprovação e pela liderança nas pesquisas de intenção de voto.
Ainda assim, a direção petista considera Haddad seu principal quadro no estado e avalia que sua candidatura é decisiva para que o presidente Lula tenha um palanque robusto em São Paulo. A aposta do partido é que o capital político acumulado pelo ex-prefeito da capital e sua passagem pela Fazenda possam transformá-lo em alternativa competitiva contra o governador bolsonarista.
Lula, aliás, dedicou boa parte de sua fala a defender Haddad e a justificar pessoalmente sua escolha. O presidente afirmou que o ex-ministro desejava se afastar da política naquele momento, mas que a gravidade do cenário nacional e internacional exigia que o campo democrático lançasse seus nomes mais fortes. “Ele queria deixar porque queria estudar, porque ele queria sair um pouco da política, porque queria fazer não sei o quê. E eu tive uma conversa com Haddad mostrando que a situação política do Brasil e do mundo é tão grave, que se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem e não resolver fazer a luta para defender a democracia, nós corremos risco de, por omissão, entregar a democracia outra vez aos fascistas que, durante tão pouco tempo, governaram esse país, mas fizeram um estrago muito grande”, afirmou Lula.
O presidente também elevou o tom ao projetar a vitória do aliado e ao elogiar sua atuação no governo federal. “Para a minha alegria, o companheiro Haddad resolveu outra vez colocar o nome dele à disposição para ser candidato a governador do Estado de São Paulo. Essa eleição, eu estou dizendo para o Haddad, ele vai ser o futuro governador de São Paulo. Primeiro porque ele está muito mais do que preparado para isso. Segundo, porque ele já é o ministro da fazenda mais exitoso que esse país já teve”, declarou.
Na sequência, Lula foi ainda mais direto ao comparar Haddad com os demais possíveis concorrentes. Segundo o presidente, o petista foi escolhido porque seria “incomparavelmente melhor do que todos que estejam dispostos a disputar com ele, inclusive melhor do que o governador atual, bem melhor”. A fala coloca a eleição paulista também como um confronto político de projetos, em que o lulismo tentará associar Haddad à defesa da democracia e da reconstrução institucional do país, enquanto posiciona Tarcísio como representante do campo conservador.
O lançamento da pré-candidatura também serviu para sinalizar os primeiros movimentos da composição eleitoral em São Paulo. Além de Haddad, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, aparece como nome já confirmado para uma das vagas ao Senado. A segunda vaga ainda está em discussão, e Lula aproveitou o evento para fazer um apelo público a Geraldo Alckmin, sugerindo que o vice-presidente considere disputar. Ao mesmo tempo, deixou em aberto a possibilidade de Alckmin ocupar a vice na chapa estadual.
Esse desenho revela que a eleição em São Paulo terá papel estratégico para o governo federal e para o PT em 2026. Mais do que uma disputa regional, trata-se de um teste político central para o campo progressista no estado mais rico e populoso do país. Ao rejeitar a tese de candidatura meramente sacrificial, Haddad procurou inaugurar sua campanha com uma mensagem clara: entrará no confronto não para cumprir tabela, mas para tentar vencer e recolocar o projeto liderado pelo presidente Lula no comando do Palácio dos Bandeirantes.
Com informações do Brasil247
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