Para Wagner Ribeiro, escolha do governo brasileiro deixa em segundo plano a transição energética e os investimentos em fontes renováveis diante da urgência climática.
A decisão de avançar com a exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas representa uma escolha que prioriza a soberania energética baseada em combustíveis fósseis, em detrimento de uma transição para fontes renováveis. A avaliação é do geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).
A Petrobras anunciou a viabilidade de iniciar o processo de exploração na região após a aprovação das medidas necessárias para avançar com a atividade. Para Ribeiro, entretanto, insistir no petróleo como principal fonte de energia representa uma concepção ultrapassada de soberania.
Segundo o especialista, a verdadeira soberania energética deveria estar relacionada à capacidade de o país desenvolver e ampliar alternativas renováveis que já existem no Brasil. Para ele, ampliar a produção de energia limpa exigiria enfrentar interesses políticos e econômicos ligados ao setor petrolífero.
A exploração na Foz do Amazonas ocorre em uma área ambientalmente sensível e tem sido alvo de debates envolvendo os impactos da atividade sobre a biodiversidade e os ecossistemas amazônicos.
Petróleo traz impactos econômicos e ambientais
Ribeiro também chama atenção para os efeitos econômicos associados à exploração de petróleo. O geógrafo cita como exemplo a chamada “maldição do petróleo”, fenômeno relacionado à concentração de riqueza, conflitos e problemas políticos em países dependentes da atividade petrolífera.
Na avaliação do professor, a economia baseada no petróleo também pode provocar efeitos indiretos sobre a população. O aumento da atividade econômica em determinadas regiões tende a estimular a especulação imobiliária, elevar os preços dos imóveis e pressionar o custo de vida.
O especialista cita experiências observadas em regiões produtoras de petróleo, como a Baixada Santista e Macaé, no Rio de Janeiro. Segundo ele, o aumento dos preços da moradia pode provocar uma reação em cadeia, encarecendo também atividades comerciais e produtos consumidos pela população.
Além dos impactos locais, Ribeiro ressalta que a continuidade da dependência dos combustíveis fósseis contraria o esforço internacional para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Transição energética é apontada como alternativa
Para o geógrafo, o Brasil possui condições favoráveis para ampliar a produção de energia renovável e deveria utilizar esse potencial como estratégia de soberania nacional.
Ribeiro defende que o país tenha maior ousadia para investir em alternativas energéticas e dar escala a tecnologias já disponíveis. Na avaliação dele, a transição energética não deve ser vista apenas como uma questão ambiental, mas também como uma estratégia econômica e geopolítica.
O debate ganha importância diante da crescente preocupação mundial com as mudanças climáticas e da necessidade de reduzir a utilização de combustíveis fósseis.
A discussão sobre a Foz do Amazonas, portanto, envolve não apenas a possibilidade de exploração de petróleo, mas também o modelo de desenvolvimento energético que o Brasil pretende adotar nas próximas décadas.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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