Irã mantém capacidade militar e pode atingir bases dos EUA em toda a Europa, avalia especialista

Especialista afirma que mísseis iranianos têm alcance de até 4 mil quilômetros e alerta que uma escalada do conflito pode ampliar a tensão entre Teerã, Washington e países da Otan.

O Irã mantém praticamente intacta sua capacidade militar e poderia atingir bases dos Estados Unidos em diferentes pontos da Europa caso o conflito com Washington se intensifique. A avaliação é de Amauri Chamorro, especialista em Comunicação Política, ouvido pela Rádio Brasil de Fato.

Segundo o especialista, o país possui mísseis balísticos com alcance de até 4 mil quilômetros. Considerando a distância em linha reta a partir do território iraniano, o alcance poderia chegar a países europeus como o Reino Unido.

A possibilidade de ataques contra instalações militares norte-americanas na Europa levou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a afirmar, nesta quarta-feira (19), que está preparada para enfrentar eventuais ameaças.

O cenário aumenta a preocupação com uma ampliação do conflito para além do Oriente Médio, especialmente diante das ameaças de Teerã de responder caso os Estados Unidos intensifiquem suas operações militares.

Divergências dentro da Otan dificultam resposta conjunta

Chamorro avalia que uma eventual escalada também encontra obstáculos dentro da própria Otan. Os países integrantes da aliança não possuem necessariamente a mesma posição sobre a ampliação do conflito no Oriente Médio.

A Espanha, por exemplo, não demonstra apoio a uma escalada militar. A Turquia também ocupa uma posição particularmente delicada. Membro da Otan, o país mantém relações próximas com o Irã e possui uma localização estratégica entre a Europa, o Oriente Médio e a Ásia.

A posição turca é considerada importante porque o país faz fronteira ou está próximo de áreas diretamente envolvidas nas tensões regionais, como Síria, Iraque e Irã. Além disso, possui um dos maiores efetivos militares entre os integrantes da aliança.

Escalada amplia riscos geopolíticos

Na avaliação do especialista, as declarações e mudanças de posição do governo de Donald Trump também contribuem para aumentar a instabilidade. Segundo Chamorro, a oscilação entre diferentes anúncios e ações dos Estados Unidos dificulta a previsibilidade do conflito.

O cenário também estaria estimulando uma maior aproximação entre países do Oriente Médio. O especialista cita o acordo firmado entre Turquia, Arábia Saudita e Paquistão como um sinal de fortalecimento das alianças regionais diante das ações das potências ocidentais.

Para Chamorro, uma eventual ampliação dos ataques poderia desencadear uma reação em cadeia, envolvendo bases militares norte-americanas, países da Otan e governos aliados do Irã.

A possibilidade de o conflito atingir território ou instalações militares europeias representa uma mudança significativa no nível de risco internacional, já que poderia envolver diretamente membros de uma das principais alianças militares do mundo.


🔍 Fontes: Brasil de Fato

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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