Flávio Bolsonaro havia prometido tornar públicos os documentos sobre o financiamento do filme, mas a prestação de contas continua incompleta enquanto a investigação da Polícia Federal avança lentamente.
O caso envolvendo o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, completa 100 dias nesta sexta-feira (21) sem que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha divulgado integralmente os contratos e documentos de prestação de contas que prometeu apresentar.
A controvérsia veio a público em 13 de maio, após a divulgação de áudios, mensagens e documentos relacionados a negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O senador afirmou na época que apresentaria o contrato de financiamento e uma prestação de contas detalhada da produção.
Flávio chegou a estabelecer um prazo de 30 dias para divulgar os documentos. Mais de três meses depois, porém, o material prometido ainda não foi apresentado integralmente ao público.
O episódio também passou a ser investigado pela Polícia Federal. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 23 de julho e, nesta sexta-feira, completa 29 dias de tramitação.
Segundo informações apuradas pelo Brasil de Fato, até o início desta semana a Polícia Federal ainda não havia encaminhado ao ministro pedidos de medidas como quebra de sigilos bancário e telemático, buscas e apreensões ou prisões relacionadas ao caso.
Investigação apura origem e destino dos recursos
Entre os pontos que estão sob investigação estão o caminho dos recursos destinados ao filme, a origem dos valores atribuídos a Daniel Vorcaro e a destinação do dinheiro utilizado na produção.
A relação entre Flávio Bolsonaro e o entorno empresarial de Vorcaro também passou a ser analisada pelas autoridades após o surgimento de novas informações e documentos.
O caso ganhou novas dimensões com a divulgação de notas fiscais emitidas pelo escritório ligado ao senador para empresas relacionadas ao grupo empresarial do ex-banqueiro, além de iniciativas legislativas apresentadas por Flávio que tratavam de setores nos quais empresas ligadas a Vorcaro mantinham interesses econômicos.
As informações, por si só, não comprovam irregularidades. A investigação deverá verificar se houve relação entre as operações financeiras, as atividades empresariais e eventuais interesses políticos ou econômicos envolvidos.
Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidades e afirma que os recursos recebidos de Vorcaro foram utilizados integralmente na produção do filme. O senador também rejeita a existência de contrapartidas.
Promessa de transparência continua pendente
Além da investigação policial, permanece uma questão de natureza política: a promessa feita pelo próprio Flávio Bolsonaro de apresentar os documentos relacionados ao financiamento de “Dark Horse”.
Nesta semana, o senador afirmou que a prestação de contas foi realizada e classificou o episódio como uma “página virada”. Entretanto, o contrato que ele havia prometido tornar público em maio ainda não foi divulgado integralmente.
A produção do filme também está relacionada a outras investigações que analisam possíveis vínculos entre recursos públicos, empresas e entidades associadas à produção.
Uma dessas apurações envolve o Instituto Conhecer Brasil, entidade que manteve contratos públicos e cuja presidente, Karina Ferreira da Gama, também é apontada como produtora de “Dark Horse”.
O caso segue sob investigação e, até o momento, não há conclusão oficial que confirme as suspeitas levantadas. A Polícia Federal ainda deverá analisar documentos, movimentações financeiras e possíveis conexões entre os envolvidos.
Com 100 dias desde que as primeiras informações vieram a público, o episódio permanece marcado por questões ainda sem esclarecimento definitivo — especialmente sobre os recursos utilizados na produção e os documentos que Flávio Bolsonaro prometeu apresentar.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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