Ministério da Justiça turco solicitou a medida contra o primeiro-ministro israelense e outro acusado, com base em mandados de prisão emitidos por um tribunal de Istambul.
O Ministério da Justiça da Turquia solicitou nesta sexta-feira (21) a emissão de alertas vermelhos da Interpol contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o israelense Afek Moscovitch. Os dois são réus em um processo que tramita na Justiça turca relacionado à interceptação da Flotilha Global Sumud.
O pedido foi anunciado pelo ministro da Justiça, Akin Gürlek, e atende a uma solicitação apresentada pela própria Flotilha Global Sumud. Segundo o governo turco, os mandados de prisão contra Netanyahu e Moscovitch foram emitidos em 14 de julho deste ano.
O mecanismo de alerta vermelho da Interpol não representa, por si só, uma ordem internacional de prisão. Trata-se de uma solicitação para que autoridades policiais dos países-membros localizem e, conforme as leis nacionais, detenham provisoriamente uma pessoa procurada para eventual processo de extradição.
A decisão sobre a emissão do alerta cabe à própria Interpol. Mesmo que o pedido seja aceito, cada país integrante da organização decide, de acordo com sua legislação, quais medidas serão adotadas.
Processo na Turquia envolve ataque à flotilha
O caso está relacionado à interceptação da Flotilha Global Sumud pela Marinha israelense em outubro de 2025, quando as embarcações navegavam em águas internacionais em direção à Faixa de Gaza.
Mais de 400 ativistas estavam distribuídos em 40 embarcações. Segundo a reportagem, eles foram levados para Israel e posteriormente detidos antes de serem deportados.
Entre os participantes estavam 15 brasileiros, incluindo a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (Psol-Campinas) e o ativista Thiago Ávila.
A Justiça de Istambul conduz o processo à revelia contra Netanyahu e outros 34 acusados. Entre os crimes atribuídos aos réus estão genocídio, crimes contra a humanidade, privação de liberdade qualificada, tortura, lesões corporais intencionais, destruição de propriedade, pilhagem qualificada e apropriação indébita de veículos de transporte.
O governo turco afirma que pretende utilizar mecanismos previstos no direito nacional e internacional para buscar responsabilização dos envolvidos.
Caso amplia tensão diplomática envolvendo Israel
A iniciativa da Turquia acrescenta uma nova dimensão jurídica e diplomática às disputas envolvendo Israel e a guerra em Gaza.
Na ocasião da interceptação da flotilha, o governo brasileiro condenou a ação, classificando-a como uma interceptação ilegal e uma detenção arbitrária de ativistas.
O pedido feito à Interpol agora coloca Netanyahu diante de uma tentativa formal de ampliar a busca internacional por sua responsabilização no âmbito do processo conduzido pela Justiça turca.
A eventual aceitação do pedido, contudo, não significa que Netanyahu será automaticamente preso. A aplicação de qualquer medida dependerá das regras da Interpol e das decisões das autoridades dos países onde ele estiver.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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