O PT quer insistir mais uma vez no nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), como candidato ao governo de São Paulo, mesmo diante de um cenário amplamente adverso. A avaliação interna é que o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reúne vantagens expressivas, como o controle da máquina pública estadual, índices de popularidade próximos de 60% e o apoio consolidado do eleitorado do interior paulista, tradicionalmente resistente ao PT desde a década de 1980. Ainda assim, a cúpula petista considera que abrir mão de Haddad representaria um risco maior para o projeto nacional do partido, informa o G1.
A leitura estratégica do PT parte de um histórico de derrotas consecutivas no estado. Desde 1982, o partido já lançou nomes de peso para o Palácio dos Bandeirantes — entre eles Lula, Eduardo Suplicy, Plínio de Arruda Sampaio, Marta Suplicy, José Dirceu, José Genoino, Alexandre Padilha, Luiz Marinho e o próprio Haddad — sem jamais conquistar a vitória. Diante de dificuldades adicionais em outros estados, como Minas Gerais, onde ainda não há um palanque consolidado, a direção petista avalia que São Paulo não pode ser deixado à deriva em 2026.
Haddad, segundo esse diagnóstico, oferece ao menos uma previsibilidade eleitoral. Em 2022, ele chegou ao segundo turno contra Tarcísio e venceu na capital paulista, desempenho considerado fundamental para limitar a vantagem do adversário no estado. Lideranças do partido avaliam que repetir esse resultado — ainda que com derrota no conjunto do estado — ajudaria a preservar a competitividade da candidatura presidencial de Lula.
Um aliado do presidente lembra que, na eleição de 2022, Lula venceu no plano nacional por uma diferença de cerca de 2 milhões de votos, mas foi derrotado em São Paulo por aproximadamente 2,6 milhões. Na avaliação desse grupo, uma desvantagem ainda maior no estado poderia ter comprometido o resultado nacional. Por isso, a missão atribuída a Haddad é clara: chegar novamente ao segundo turno, garantir vitória na capital e reduzir ao máximo a diferença no interior paulista.
Dentro do partido, há também vozes dissonantes. Aliados de Haddad manifestam preocupação com o desgaste político que uma nova derrota pode provocar, sobretudo porque ele é visto como um potencial sucessor de Lula em 2030, caso o presidente seja reeleito em 2026. Para esse grupo, perder novamente para Tarcísio poderia alimentar a narrativa de que Haddad seria um “freguês” do adversário em disputas futuras.
O entorno mais próximo de Lula, porém, minimiza esse risco. O argumento é que qualquer projeto presidencial para 2030 só faz sentido se Lula vencer em 2026. Nesse cenário, Haddad poderia assumir um cargo de grande visibilidade no governo, como a Casa Civil, ganhando projeção nacional e condições políticas para trabalhar seu nome no futuro.
No desenho atual, não há espaço para alternativas. O PT não discute um ‘plano B’ para São Paulo. A tendência é que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) permaneça na chapa presidencial de Lula, enquanto a ministra Simone Tebet (MDB) pode disputar uma vaga no Senado. Alexandre Padilha (PT), por sua vez, deve seguir no Ministério da Saúde, após ter ficado em terceiro lugar quando concorreu ao governo paulista em 2014. Assim, mesmo sob risco elevado de derrota, Lula mantém a convicção de que Haddad é o único nome capaz de cumprir o papel estratégico atribuído ao PT em São Paulo.
Originalmente publicado em Brasil247
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