Claudio Castro renuncia ao governo do Rio antes de julgamento no TSE

Claudio Castro decidiu renunciar ao governo do Rio de Janeiro e deve formalizar sua saída nesta segunda-feira (23), em cerimônia marcada para as 16h30, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na zona sul da capital fluminense. A informação foi publicada pelo Valor Econômico e confirmada ao jornal por uma fonte do governo estadual.

Segundo a reportagem, o governo fluminense enviou neste domingo (22) convites para a cerimônia de encerramento de mandato. Procurada, a assessoria de imprensa do governo do Estado não confirmou oficialmente a informação. Ainda assim, a movimentação no Palácio Guanabara e a reorganização do secretariado reforçaram a expectativa de que Castro deixará o cargo de forma imediata.

A decisão ocorre às vésperas de um julgamento sensível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no qual Claudio Castro é réu por abuso de poder econômico e político nas eleições estaduais. De acordo com a denúncia do Ministério Público Eleitoral, o governador teria promovido contratações irregulares em larga escala no Ceperj e na Uerj, com fins eleitorais.

Segundo a acusação, foram contratados 27,5 mil funcionários temporários no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e outros 18 mil na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A denúncia sustenta que essas admissões serviriam, na prática, para mobilizar cabos eleitorais durante o pleito.

De acordo com a apuração do Valor Econômico, Castro optou por renunciar antes da conclusão do processo no TSE para evitar o desgaste político de uma eventual cassação. Interlocutores ouvidos pelo jornal afirmam ainda que a decisão foi articulada com o PL, partido do governador, para permitir maior controle sobre o processo de escolha do sucessor no mandato-tampão que se abrirá com sua saída.

A renúncia, portanto, não representa apenas um gesto administrativo. Ela tem forte peso político e jurídico. Ao deixar o cargo antes da decisão da Justiça Eleitoral, Castro tenta reposicionar seu grupo político num momento de fragilidade institucional, ao mesmo tempo em que busca reduzir os efeitos de uma derrota mais traumática no tribunal.

O movimento também produz efeitos imediatos sobre a sucessão fluminense. Com a vacância do cargo, o estado entra em uma nova etapa de rearranjo político, marcada por disputas internas e pela tentativa de preservação da influência do grupo hoje instalado no Palácio Guanabara. A escolha do nome que conduzirá o mandato-tampão tende a ser decisiva para o redesenho das forças políticas no Rio de Janeiro.

Com informações do Brasil247

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