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Ata do Copom sinaliza que guerra será fundamental para futuro de juros

Documento expõe argumentos para decisão sobre taxa reduzida na semana passada de 14,5% para 14,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (23/6), a ata referente à reunião de junho. No último encontro, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, o que levou o índice para 14,25% ao ano.

O comunicado oficial da última reunião reforça cautela diante do cenário econômico e sinaliza que o colegiado de diretores da autoridade monetária foca em desdobramentos do cenário, sobretudo em relação à guerra no Oriente Médio, para definição futura de juros no Brasil.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz trecho da ata divulgada nesta terça.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
  • Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.

A ata divulgada nesta terça não deixa indicações para a próxima reunião a respeito de um possível corte, manutenção ou até uma pouco provável elevação na taxa.

O colegiado de diretores do BC lembra que as estimativas de inflação têm subido desde o início da guerra no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel, conflito iniciado em 28 de fevereiro deste ano. Por outro lado, reforça o papel do governo federal em relação ao controle dos gastos públicos.

“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.”

Em relação ao futuro, o Copom pontua que não deve reagir de forma integral às variações decorrentes de choques de oferta, como os associados à guerra e os previstos por causa do superl El Niño que se avizinha.

“O Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes”, destacam os diretores.

Expectativas do mercado para a Selic

Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche 2026 em 14% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa, mas desta forma os mais provável é haver apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual neste ano, reduzindo a taxa de 14,25% para 14%.

As estimativas para os próximos anos são as seguintes, confira abaixo:

Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 12% ao ano.
Para 2028, a estimativa continua em 10,25% ao ano.
Para 2029, a estimativa é de 10% ao ano.

Próximas reuniões do Copom:

  • 4 e 5 de agosto;
  • 15 e 16 de setembro;
  • 3 e 4 de novembro;
  • 8 e 9 de dezembro.

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