O Ministério da Saúde alertou estados e municípios sobre a possibilidade de aumento na transmissão de doenças como dengue e chikungunya devido aos impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño. Especialistas reforçam que a combinação de calor, mudanças no regime de chuvas e alterações na umidade pode favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor dessas doenças, segundo informações do Correio Braziliense.
Segundo a pasta, a previsão é de que o El Niño ocorra com intensidade moderada a forte, provocando períodos de chuvas intensas em algumas regiões e estiagens em outras. O cenário pode estimular o armazenamento inadequado de água, criando criadouros para o mosquito.
Projeções do InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. O Ministério da Saúde ressalta que a estimativa é baseada em modelos climáticos e epidemiológicos e pode sofrer alterações conforme novos dados sejam analisados.
O infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que o aumento das temperaturas acelera o ciclo de desenvolvimento do mosquito e reduz o tempo necessário para que o vírus se multiplique dentro do vetor.
Segundo o especialista, o calor faz com que as fêmeas do mosquito se alimentem com maior frequência e aumenta a chamada capacidade vetorial, ou seja, o potencial de transmissão da doença.
Apesar do alerta, Barbosa destaca que o El Niño não é o responsável pela dengue, mas pode ampliar uma transmissão que já encontra condições favoráveis nas cidades brasileiras.
“O El Niño não é o responsável pela dengue, mas pode acelerar e ampliar uma transmissão para a qual nossas cidades já oferecem condições”, afirmou.
O infectologista também ressalta que os impactos variam conforme a região do país. Enquanto algumas áreas podem registrar excesso de chuvas, outras podem enfrentar calor intenso e falta de água, situação que também favorece o armazenamento inadequado por parte da população.
Para Barbosa, o combate à dengue depende de uma ação integrada entre diferentes setores, incluindo saúde, limpeza urbana, abastecimento de água, defesa civil, assistência social e escolas.
Cenário atual
Apesar da preocupação com os próximos ciclos climáticos, os dados mais recentes indicam redução dos casos de arboviroses no Brasil.
Até 20 de junho de 2026, o país registrou 392,8 mil casos de dengue, número 73% menor que o registrado no mesmo período de 2025. Os casos de chikungunya também tiveram queda, com redução de 46% na comparação anual.
O presidente do Conselho do Projeto Hospitais Saudáveis, Vital de Oliveira Ribeiro Filho, afirma que as mudanças climáticas podem aumentar a pressão sobre o sistema de saúde, com maior risco de doenças transmitidas por mosquitos, além de impactos como ondas de calor, enchentes, incêndios e piora da qualidade do ar.
O Ministério da Saúde orienta que estados e municípios reforcem a vigilância, intensifiquem o controle do mosquito e mantenham ações preventivas, principalmente com a eliminação de criadouros dentro das residências. A população deve procurar atendimento médico ao apresentar sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya.
*Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



