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Celina Leão acusa governo Lula de ameaçar Fundo Constitucional do DF; entenda o que muda na lei

Fotografia de um grupo de homens e mulheres reunidos em uma sala para registro coletivo. Vários participantes usam adesivos de campanha eleitoral com o número 11. Ao fundo, um telão exibe a mensagem “Em Defesa do Fundo Constitucional”. Na frente do grupo, há uma mesa de vidro com um documento.
A governadora Celina Leão participa de reunião com aliados políticos para discutir medidas contra alterações nas regras do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Foto: Divulgação.

Governadora afirma que nova regra pode provocar perda de até R$ 1,8 bilhão em 2027, mas legislação não determina o fim do fundo nem estabelece corte imediato nos repasses federais.

Ceilândia em Alerta – A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), voltou a acusar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ameaçar os recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). A declaração ocorre em meio à disputa política sobre a Lei Complementar nº 235/2026, que estabelece limites para o crescimento de determinadas despesas federais em situações de déficit nas contas públicas.

Apesar das críticas da governadora, a legislação não extingue o Fundo Constitucional nem determina uma redução automática dos valores transferidos ao Distrito Federal. A mudança poderá limitar o crescimento dos repasses em determinadas condições fiscais.

O FCDF é responsável por financiar a segurança pública e prestar assistência financeira aos serviços de saúde e educação do Distrito Federal.

Segundo Celina Leão, a alteração poderá provocar um impacto de até R$ 1,8 bilhão no orçamento de 2027, comprometendo o planejamento de despesas e investimentos nessas áreas.

O valor, entretanto, representa uma estimativa apresentada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), e não uma perda já efetivada.

Na quarta-feira (21), Celina reuniu parlamentares e aliados políticos na sede da Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), em Brasília, para discutir estratégias de contestação da nova legislação.

A governadora afirmou que pretende atuar tanto no Congresso Nacional quanto no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que a regra afete os recursos destinados à capital.

O que realmente muda no Fundo Constitucional do DF?

Criado pela Lei nº 10.633/2002, o Fundo Constitucional do Distrito Federal assegura recursos federais para custear a segurança pública e contribuir com as despesas de saúde e educação.

Tradicionalmente, o valor transferido pela União é atualizado com base na variação da Receita Corrente Líquida (RCL) federal, indicador relacionado à arrecadação disponível do governo após determinadas deduções legais.

Isso significa que, quando a arrecadação federal aumenta, os repasses ao fundo também podem crescer conforme a fórmula prevista na legislação.

A controvérsia surgiu após a aprovação da Lei Complementar nº 235, de 27 de agosto de 2026, que introduziu restrições ao crescimento de determinadas despesas federais em situações de déficit primário.

O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam suas receitas, desconsiderando os juros da dívida pública.

Pela nova regra, em determinadas circunstâncias, o crescimento dos repasses poderá ser limitado, mesmo que a arrecadação federal aumente.

Na prática, isso significa que o Distrito Federal poderá receber menos do que receberia pela fórmula anterior.

Receber menos do que o valor projetado, porém, não significa necessariamente sofrer uma redução nominal dos recursos.

Por exemplo, se a fórmula antiga previsse um aumento maior para determinado ano, a aplicação do limite poderá resultar em um reajuste inferior ao esperado.

Nesse cenário, o montante transferido ainda poderá ser superior ao do ano anterior, embora fique abaixo da projeção baseada na regra anterior.

Portanto, não é correto afirmar que a lei determina o fim do Fundo Constitucional. Por outro lado, também não se pode descartar a possibilidade de impactos sobre o crescimento futuro dos repasses.

A dimensão desses efeitos dependerá das condições fiscais e da aplicação das regras previstas na legislação.

GDF questiona mudança no STF e articula reação no Congresso

Celina Leão argumenta que a nova regra compromete a previsibilidade orçamentária do Distrito Federal e pode prejudicar o financiamento de serviços essenciais.

A governadora também questiona a maneira como a alteração foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Segundo ela, o dispositivo foi incluído durante a tramitação de uma proposta que tratava originalmente de medidas relacionadas ao setor de petróleo e combustíveis.

Celina classificou a alteração como uma emenda submarina, expressão utilizada para criticar dispositivos acrescentados a projetos legislativos sem relação direta com o tema principal.

O GDF ingressou no Supremo Tribunal Federal com a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8012, distribuída ao ministro Cristiano Zanin.

Na ação, a governadora sustenta que o Congresso não poderia submeter uma obrigação constitucional de financiamento do Distrito Federal a limitações fiscais capazes de comprometer sua execução.

O governo distrital pede a suspensão da regra questionada.

Até o momento, a apresentação da ação não significa que a legislação tenha sido declarada inconstitucional. A controvérsia depende de análise judicial.

Parlamentares buscam alternativas para preservar os repasses

Além da iniciativa no STF, Celina articula mudanças legislativas com representantes da bancada do Distrito Federal.

A reunião de quarta-feira contou com a participação de parlamentares como Wellington Luiz (MDB), Izalci Lucas (PL) e Rafael Prudente (MDB), além de representantes políticos ligados à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

A governadora também mencionou a possibilidade de trabalhar com Bia Kicis (PL), Michelle Bolsonaro (PL) e Damares Alves (Republicanos) na elaboração de uma proposta para preservar o cálculo dos repasses.

Um documento foi encaminhado à campanha de Flávio Bolsonaro solicitando compromisso com a manutenção dos recursos do fundo.

Os parlamentares também pretendem discutir o assunto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No Senado, já tramita o Projeto de Lei Complementar nº 243/2026, apresentado por Izalci Lucas, que propõe afastar a aplicação das limitações previstas na Lei Complementar 235/2026 ao Fundo Constitucional do DF.

A proposta busca preservar a metodologia de cálculo e atualização dos valores destinados à capital federal.

O que está em disputa para a população do DF?

O debate sobre o Fundo Constitucional ultrapassa a disputa entre o governo federal e a administração distrital.

Os recursos financiam atividades diretamente relacionadas à prestação de serviços públicos, especialmente nas áreas de segurança, saúde e educação.

Uma eventual limitação no crescimento dos repasses poderá exigir ajustes no planejamento orçamentário do GDF, dependendo da situação fiscal e das despesas previstas.

Entretanto, os efeitos concretos ainda dependem da aplicação da lei e das decisões que poderão ser tomadas pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal.

A discussão exige distinguir três situações diferentes: a extinção do fundo, que não está prevista na nova legislação; a redução nominal dos repasses, que não é determinada automaticamente; e a limitação do crescimento futuro dos recursos, possibilidade efetivamente levantada pela mudança legal.

Essa distinção é importante para que a população compreenda o alcance da medida e possa acompanhar seus possíveis efeitos sobre os serviços públicos do Distrito Federal.

Em meio à campanha eleitoral, a controvérsia também passou a integrar o discurso político de Celina Leão contra o governo Lula.

O resultado da disputa jurídica e legislativa determinará como a nova regra será aplicada e quais serão seus efeitos sobre o orçamento distrital nos próximos anos.


Fonte: Brasil de Fato

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