Na troca de mensagens, Deltan Dallagnol afirmou que faria contato com a suposta testemunha indicada pelo então juiz federal responsável pela Lava-jato. Moro argumentou que cumpriu seu dever ao passar a informação sobre uma pessoa que poderia contribuir com as investigações. Mas admitiu que errou ao fazer isso não nos autos, mas em aplicativo de celular.
O ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol tiveram conversas sobre a Lava-jato divulgadas. Foto: ABr / Alep
A Polícia Federal investiga quem teria contratado os hackers que invadiram celulares de autoridades, entre elas o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. A polícia também apura quem teria repassado conversas entre as autoridades para o portal ‘The Intercept Brasil’ e se as informações foram passadas a outros veículos.
Mensagens com as declarações foram divulgadas pelo site Intercept Brasil. Mesmo considerando as movimentações estranhas, eles avaliaram como tratar o assunto perante a opinião pública, amenizando o tom. Para o site, Deltan Dallagnol considerava o caso grave, mas colocava em dúvida a apuração por Sergio Moro para não desagradar o já eleito presidente Jair Bolsonaro.
Reunião dura mais de duas horas. Encontro trata das mensagens divulgadas pelo site ‘The Intercept’, que mostram conversas entre o ex-juiz da força-tarefa Sergio Moro e procuradores, entre eles Deltan Dallagnol. Em reportagem desta terça, o site denunciou Dallagnol por supostamente ter pedido dinheiro do orçamento do tribunal em Curitiba para Moro.
Novas conversas divulgadas pelo site apontam que o vídeo seria para divulgar as dez ações contra a corrupção da Lava-jato. Em conversa de janeiro de 2016, ele pergunta a Sergio Moro se a vara que o juiz então comandava poderia liberar o dinheiro para elaboração do material. Segundo a conversa, Moro teria respondido positivamente.
Kennedy Alencar comenta as novas conversas entre procuradores divulgadas nesta semana: “A PF investiga o suposto hackeamento, mas até agora ninguém se dispôs a investigar o conteúdo dos fatos. As últimas conversas divulgadas entre Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobom deixaram os procuradores da Lava-jato mal na foto, em um retrato de ambição financeira desmedida e corrupção na função pública”.
Wálter Maierovitch destaca que Deltan Dallagnol se nega a entregar o celular onde ainda estariam gravadas as conversas que ele teve com o então juiz Sérgio Moro. Desta forma, depois de comparadas as falas com as conversas vazadas, a questão da autenticidade das mensagens do ‘The Intercept’ estaria resolvida. ‘Moro usa o mantra de que não vê nada demais no teor das mensagens’.
Em áudio divulgado pelo site The Intercept, e atribuído ao procurador-chefe da Lava-jato Deltan Dallagnol, ele aparece comemorando decisão do STF de proibir entrevista de Lula durante a campanha. No material ele diz: ‘não vamos alardear isso para evitar divulgação’. Ele disse que a notícia era ‘boa’ e vinha para começar bem o final de semana dos procuradores da operação.
O próprio procurador envolvido em troca de mensagens com Moro confirmou que não irá se explicar na Casa. Procurador-chefe da Lava jato é citado em série de matéria do Intercept Brasil e diz que material vem sendo usado para atacar a operação, que prendeu vários políticos e empresários. A ida dele ao Congresso estava prevista para esta terça-feira.
Esclarecimento foi feito pela assessoria de imprensa do Ministro da Justiça que, mais cedo, havia confirmado que Moro ficará afastado entre os dias 15 e 19 de julho, para tirar férias. Assessoria afirmou que, na prática, ele não poderia tirar férias por ter começado a trabalhar em janeiro. Portanto, não haverá remuneração.
Afastamento acontece em meio à divulgação de mais mensagens envolvendo o ministro da Justiça pelo site ‘The Intercept Brasil’. Autorização foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União. Assessoria de Moro disse que ele vai tirar dias de férias entre 15 e 19 de julho.
Conversas atribuídas ao ex-juiz e a procuradores mostram que integrantes da força-tarefa teriam se mobilizado para expor informações sigilosas sobre corrupção na Venezuela. As mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil foram analisadas e divulgadas pela Folha de S.Paulo. O objetivo seria dar uma resposta política ao endurecimento do regime imposto por Nicolás Maduro, mesmo que a ação não tivesse efeitos jurídicos. As mensagens mostram que a Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa de Curitiba dedicaram meses de trabalho ao projeto.
O presidente também elogiou o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) pelo empenho, e enalteceu o trabalho do ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni. Questionado sobre novos vazamentos de mensagens do ministro da Justiça Sérgio Moro, o presidente disse apenas que eles irão juntos assistir ao jogo Brasil x Peru no domingo.