Vítima de sequestro e violência alerta mulheres sobre sinais de abuso

Após viver momentos de terror, Emiliane Tamara alerta: "Mulheres, não aceitem o inegociável" - (crédito: Fotos: Phillipe Mendes especial CB/DA Press)

Ceilândia em Alerta — Cinco dias após ser resgatada de um cativeiro em Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal, a técnica de enfermagem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, decidiu falar sobre a violência que sofreu para alertar outras mulheres. Segundo o relato da vítima, ela foi sequestrada e mantida em cárcere pelo ex-companheiro, Ailton Rodrigues de Souza. Ainda se recuperando das agressões, Emiliane afirma que ignorou sinais de comportamento abusivo ao longo do relacionamento e defende que mulheres procurem ajuda diante dos primeiros indícios de violência.

“O que eu posso dizer para as mulheres, hoje em dia, é: não aceite o inegociável. No primeiro sinal, sai fora. Porque eu tive vários sinais”, afirmou.

O desaparecimento

Emiliane desapareceu em 17 de agosto, depois de sair de casa para realizar um depósito e comparecer a uma consulta em uma clínica de estética na Barragem 1, em Águas Lindas (GO).

De acordo com seu relato, ela havia combinado com o ex-companheiro, pai de seus dois filhos, uma conversa sobre uma audiência marcada para o dia seguinte, relacionada ao pagamento de pensão alimentícia.

Após sair da clínica, Emiliane foi até uma loja administrada pelo ex-companheiro. Segundo ela, Ailton insistiu em uma reconciliação e não quis conversar sobre questões relacionadas às crianças.

A armadilha

Segundo o depoimento da vítima, os dois foram para os fundos do estabelecimento, onde havia uma cama e uma televisão. Emiliane afirma que recusou uma tentativa de aproximação física, mas percebeu posteriormente que o local teria sido preparado para mantê-la contra a vontade.

“Infelizmente era uma armadilha, lá já estava com tudo preparado, eu não tinha percebido”, relatou.

Emiliane também afirma que recebeu uma substância que a deixou desnorteada. Segundo ela, permaneceu consciente durante parte das agressões, mas não tinha forças para reagir. A vítima relata ainda ter sofrido violência sexual.

Cinco dias em cativeiro

Emiliane afirma que foi levada para um imóvel no bairro América III, onde teria permanecido em cárcere por cinco dias.

Segundo o relato, ela era autorizada a se alimentar apenas em determinados momentos e permanecia com as mãos presas e com o rosto coberto. A vítima diz que perdeu completamente a noção do tempo e não conseguia identificar se era dia ou noite.

Antes de deixar o imóvel, segundo Emiliane, o ex-companheiro teria utilizado medicamentos para mantê-la sedada.

Ela também relata que Ailton teria oferecido bens e dinheiro em troca de seu silêncio. De acordo com a vítima, ele chegou a pedir que ela escrevesse uma carta destinada à mãe.

Resgate

Emiliane foi localizada e resgatada em 21 de agosto por policiais militares da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste, que abordaram Ailton Rodrigues de Souza.

Conforme as informações apresentadas no caso, os policiais encontraram a vítima presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também estava com uma máscara no rosto.

Ailton foi preso em flagrante pelos crimes de sequestro, estupro e cárcere privado. Posteriormente, a Justiça de Goiás decretou a prisão preventiva do suspeito. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás.

Sinais de violência

Separada do ex-companheiro desde dezembro de 2025, Emiliane afirma que comportamentos possessivos e explosivos já faziam parte da relação desde o início do namoro, em 2020.

Segundo ela, o primeiro episódio de descontrole ocorreu durante uma confraternização que havia organizado em seu apartamento com colegas de trabalho. Depois disso, conforme seu relato, o controle teria se estendido às amizades, aos horários e até à academia que frequentava.

A vítima afirma que a dependência emocional construída durante o relacionamento dificultou a percepção dos sinais de violência.

“Não sei se era amor, se era dependência, era dependência emocional, porque eu casei com ele com 18 anos. O amor é cego, a gente não vê”, declarou.

Recuperação

Após receber alta hospitalar, Emiliane segue em recuperação e relata dores e tonturas decorrentes das agressões e do período em que teria permanecido sedada.

Apesar do trauma e do medo de possíveis represálias, ela afirma que decidiu tornar o caso público para incentivar outras mulheres a romperem o silêncio.

“Se toda moça que for estuprada, ou sequestrada, ou alguma coisa assim, ela se calar, isso sempre vai ficar acontecendo. Então, assim, alguém tem que ter coragem de ir lá e se expor”, afirmou.

A vítima também declarou acreditar que o ex-companheiro possa ter contado com a ajuda de outras pessoas, mas ressaltou que não possui provas para fazer acusações contra terceiros.

Consequências psicológicas

A psicóloga clínica Laynara Paiva explica que uma experiência de cárcere pode afetar profundamente a sensação de segurança e de controle da vítima.

Segundo a especialista, mesmo após o resgate, podem surgir sintomas como pesadelos, alterações no sono, hipervigilância, dificuldade de concentração, irritabilidade, insegurança e lembranças invasivas.

Ela também destaca que sentimentos como medo, alívio, raiva e culpa podem aparecer simultaneamente. A profissional ressalta que reações como congelamento, submissão ou dificuldade de reagir diante de uma ameaça extrema não representam consentimento ou fraqueza.

Para a psicóloga, quando o agressor é alguém próximo, o trauma pode afetar não apenas a segurança física, mas também a confiança da vítima nas relações pessoais.

A recomendação para familiares e amigos é evitar pressionar a vítima a relatar detalhes ou superar rapidamente o trauma. Oferecer segurança, respeitar seus limites, ajudar nas necessidades práticas e acreditar em seu relato são atitudes importantes durante a recuperação.

Importância do acompanhamento profissional

A psicóloga recomenda a busca por acompanhamento especializado diante de sinais como pesadelos recorrentes, isolamento, hipervigilância, culpa intensa ou dificuldade para retomar a rotina.

Segundo ela, o tratamento deve respeitar o tempo de cada vítima e priorizar a recuperação da sensação de segurança, autonomia e confiança.

A especialista também chama atenção para os impactos da violência sobre os filhos. Crianças podem apresentar mudanças de comportamento, maior dependência dos adultos ou isolamento após situações traumáticas. Por isso, devem receber acolhimento e não ser colocadas na posição de proteger a mãe ou escolher lados em conflitos familiares.

Onde pedir ajuda

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, serviço gratuito e disponível 24 horas.
  • Ligue 190: Polícia Militar, em situações de emergência.
  • Casa da Mulher Brasileira: unidade em Ceilândia com atendimento especializado para mulheres em situação de violência.
  • CEAMs: Centros de Referência de Atendimento à Mulher, que oferecem acolhimento e acompanhamento psicológico e social.
  • DEAMs: Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, destinadas ao registro de ocorrências e atendimento especializado.

Fonte: Correio Braziliense.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias