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“Doméstica” aparece na direção de empresas ligadas a advogado próximo de Flávio Bolsonaro

Mosaico composto por três fotografias individuais lado a lado: à esquerda, uma mulher de óculos de armação escura e a sorrir; ao centro, Flávio Bolsonaro a discursar perante microfones; à direita, um homem de fato azul e gravata rosa.
Lídia Maria Figueiredo Mazelli aparece em documentos de empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz | Crédito: Reprodução

Documentos analisados pelo ICL Notícias colocam Lídia Mazelli em cargos de direção de 14 empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz; após a publicação, ela e a defesa do empresário contestaram pontos centrais da reportagem.

Ceilândia em Alerta – Documentos empresariais analisados pelo ICL Notícias mostram que Lídia Maria Figueiredo Mazelli, de 61 anos, aparece ou apareceu em cargos de direção de 14 empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz, empresário próximo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Os negócios abrangem setores como imóveis, aviação, comunicação, mineração, investimentos e meios de pagamento.

A reportagem original apresentou Lídia como empregada doméstica e afirmou que, ao ser abordada pelos jornalistas, ela teria dito desconhecer Tomaz e não saber que figurava como dirigente das empresas. Depois da publicação, porém, Lídia contestou essa versão. Em nota acrescentada pelo próprio ICL, afirmou nunca ter sido doméstica, disse ser bacharel em Administração desde 2002 e declarou ter trabalhado desde 2010 como gerente administrativa, além de ter exercido efetivamente funções de diretoria.

A defesa de Willer Tomaz também classificou como falsa a premissa da reportagem. Segundo o advogado, Lídia possui experiência de mais de duas décadas na área administrativa e ocupou cargos de gestão nas empresas do grupo.

A divergência é relevante porque modifica um dos pontos centrais apresentados inicialmente pela investigação jornalística. Os documentos societários confirmam a presença de Lídia em empresas relacionadas a Tomaz, mas há versões conflitantes sobre sua trajetória profissional e sobre o conhecimento que ela possuía das funções exercidas.

Empresas atuam em imóveis, aviação e apostas

Segundo os documentos levantados pelos jornalistas Alice Maciel e Paulo Motoryn, Lídia teve vínculo profissional com empresas relacionadas a Willer Tomaz e posteriormente passou a aparecer formalmente em cargos de direção de diferentes negócios.

Entre eles está a Jet Line Locação e Serviços Aéreos, ligada ao setor de aviação executiva, e a WT Administração de Imóveis e Bens.

Seu nome também aparece na administração da Friponor Brasil Turismo, empresa relacionada a uma ilha de aproximadamente 56 mil metros quadrados em Angra dos Reis. O imóvel chegou a ser anunciado por R$ 17 milhões, segundo a investigação jornalística.

A reportagem informa ainda que Lídia assinou documento encaminhado ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) buscando informações sobre a possibilidade de implantação de empreendimento turístico na área.

Outra empresa citada é a Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia, atualmente RioPag S/A, contratada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para atuar no processamento de operações financeiras relacionadas a casas de apostas credenciadas.

Segundo as informações publicadas, a Loterj cobra da RioPag cerca de R$ 20,9 milhões que considera não terem sido repassados. A existência dessa cobrança, por si só, não estabelece responsabilidade pessoal de Lídia nem de outras pessoas ligadas à empresa.

Willer Tomaz nega envolvimento em fraudes do INSS

A reportagem também relaciona as empresas à proximidade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. O próprio senador já se referiu publicamente ao advogado como amigo, e diferentes reportagens registraram contatos profissionais e pessoais entre os dois.

Tomaz foi alvo de busca e apreensão no contexto da Operação Sem Desconto, investigação sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

A defesa, entretanto, afirma que Willer Tomaz não é investigado por desvios de recursos de aposentados e sustenta que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra diligências envolvendo o advogado por ausência de ligação com as irregularidades investigadas.

Outro episódio citado envolve uma mansão em Angra dos Reis. A reportagem relaciona o imóvel a uma empresa de Tomaz e registra que Flávio Bolsonaro esteve na propriedade antes de uma disputa judicial envolvendo sua posse.

A defesa do advogado afirma que todas as decisões judiciais referentes ao imóvel foram favoráveis a Tomaz e transitaram em julgado. Também nega que Flávio Bolsonaro tenha participado da aquisição, seja sócio do advogado ou possua qualquer participação na propriedade.

A presença do nome de uma pessoa em documentos societários, relações profissionais ou contatos entre empresários e políticos não constitui, isoladamente, prova de fraude ou participação em atividade criminosa. Da mesma forma, medidas investigativas, como buscas e apreensões, não representam condenação.

No caso de Lídia Mazelli, a própria atualização feita pelo ICL Notícias passou a registrar sua contestação: ela afirma ter exercido efetivamente funções administrativas e de diretoria e nega a caracterização de que seria apenas uma dirigente formal das empresas.


🔍 Fonte: ICL Notícias.

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