Financiamento anunciado durante a Assembleia Geral da ONU pretende ampliar projetos de mineração, energia e infraestrutura; iniciativa reforça aproximação entre os governos de Javier Milei e Donald Trump.
Ceilândia em Alerta – Os Estados Unidos anunciaram a disponibilização de até US$ 7 bilhões em financiamento para projetos de energia, mineração e infraestrutura na Argentina, aprofundando a parceria econômica entre os governos de Javier Milei e Donald Trump. O anúncio foi feito em Nova York, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Os recursos serão disponibilizados pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM) e deverão financiar projetos relacionados a minerais críticos, petróleo, gás e infraestrutura necessária para transportar esses produtos das regiões produtoras argentinas até portos e mercados consumidores.
A iniciativa faz parte da estratégia norte-americana de ampliar cadeias de fornecimento de minerais considerados essenciais para setores como tecnologia, energia, defesa e indústria, reduzindo principalmente a dependência do processamento realizado pela China.
A Argentina possui reservas importantes de lítio e cobre e também busca desenvolver depósitos de terras raras. Levantamento do Serviço Geológico Mineiro Argentino (SEGEMAR) divulgado em junho estimou em cerca de 190 mil toneladas o potencial identificado desses elementos no território do país, além de áreas ainda não completamente avaliadas.
O anúncio desta semana amplia uma aproximação iniciada anteriormente. Em fevereiro, Argentina e Estados Unidos já haviam firmado um instrumento bilateral para fortalecer as cadeias de fornecimento e o processamento de minerais críticos.
Financiamento inclui mineração, energia e infraestrutura
O acordo anunciado em Nova York foi apresentado pelo vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, e pelo chanceler argentino, Pablo Quirno.
Um dos objetivos é melhorar a infraestrutura que conecta as áreas de mineração do noroeste argentino e a região de Vaca Muerta, uma das maiores formações de petróleo e gás não convencionais do mundo, aos portos do país.
O financiamento não significa que os Estados Unidos estejam adquirindo a propriedade das reservas minerais argentinas. Os recursos naturais continuam submetidos à legislação e ao regime de propriedade estabelecidos pela Argentina.
O que o acordo amplia é a participação norte-americana no financiamento e desenvolvimento de projetos destinados à exploração, processamento e exportação desses recursos.
Para o governo Milei, a estratégia é uma forma de atrair capital estrangeiro e transformar mineração e energia em fontes crescentes de exportações e entrada de dólares.
A administração argentina também modificou neste ano regras do regime de investimentos minerais, com medidas destinadas a simplificar procedimentos administrativos, facilitar importações de equipamentos e dar maior previsibilidade tributária aos investidores.
Críticos da política de aproximação com Washington questionam o grau de dependência externa que pode ser criado em setores estratégicos e defendem maior participação nacional no processamento e na industrialização dos recursos minerais. O governo Milei, por outro lado, sustenta que a entrada de investimentos permitirá ampliar produção, exportações, infraestrutura e empregos.
Minerais críticos estão no centro da disputa internacional
A corrida por minerais críticos tornou-se uma das principais áreas da competição econômica internacional. Lítio, cobre, grafite e elementos de terras raras são utilizados em baterias, semicondutores, veículos elétricos, turbinas, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
Os Estados Unidos procuram diversificar suas fontes porque a China ocupa posição dominante principalmente no processamento de vários desses minerais.
A Argentina passou a ocupar espaço nessa estratégia. Em fevereiro, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou o país como um parceiro importante para o desenvolvimento de novas cadeias de fornecimento.
O título da reportagem do ICL Notícias relaciona a política de Milei às propostas defendidas pelo candidato brasileiro Flávio Bolsonaro (PL). A comparação se baseia na defesa feita por Flávio de uma parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos para minerais críticos e terras raras.
Em maio, durante passagem por Washington, Flávio afirmou que, caso eleito, buscaria uma parceria de longo prazo com os Estados Unidos no setor, com participação de investimentos e tecnologia estrangeiros. Seu programa de governo também prevê atração de capital internacional e agilização de projetos relacionados a minerais estratégicos.
A existência de pontos semelhantes entre as propostas, porém, não significa que o modelo anunciado pela Argentina seria automaticamente reproduzido no Brasil. Eventuais acordos dependeriam das condições negociadas, da legislação brasileira, das competências dos órgãos públicos e, conforme o instrumento adotado, da participação do Congresso Nacional.
🔍 Fontes: ICL Notícias; Governo da Argentina; Associated Press; Reuters.



