Lula afirma em Moçambique que parceria Brasil-África vive um “recomeço” histórico

Presidente destaca nove novos acordos bilaterais, reforça cooperação em saúde, educação e infraestrutura e diz que Brasil “está de volta” à África

Durante visita oficial a Maputo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a parceria entre Brasil e Moçambique entra em uma nova fase estratégica marcada pela retomada da cooperação, pela ampliação do comércio e por um conjunto de nove acordos bilaterais em áreas consideradas essenciais.

As declarações foram feitas em pronunciamento à imprensa nesta segunda-feira (24), durante visita oficial ao país africano. O discurso foi publicado pelo governo brasileiro no site oficial do Planalto.

“O Brasil está de volta”, diz presidente

Lula abriu sua fala destacando o reencontro político e afetivo com o país africano. “Foi com imensa satisfação que me reuni, hoje, com o meu amigo, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo”, afirmou.

O presidente lembrou que esta é sua quarta visita ao país e que a viagem ocorre no marco dos 50 anos da independência moçambicana. Lula citou o escritor Mia Couto para descrever o longo período de distanciamento entre os dois países, interrompido, segundo ele, por um momento de “despertar” há cerca de 20 anos — período em que Moçambique se tornou o maior destinatário da cooperação brasileira na África.

Depois, porém, o Brasil “se perdeu por caminhos sombrios”, afirmou o presidente, fazendo referência ao desmonte das relações Sul-Sul nos últimos anos. Agora, enfatizou: “É hora de recobrar a consciência.”

Nove acordos e retomada da presença brasileira

Lula anunciou a assinatura de nove novos acordos bilaterais, que abrangem:

  •  desenvolvimento institucional
  •  saúde
  •  educação
  •  diplomacia
  •  empreendedorismo
  •  promoção comercial
  •  aviação civil
  •  assistência jurídica
  •  serviços agroflorestais

Segundo o presidente, a cooperação pode e deve ir além. Ele ressaltou que Moçambique tem grandes desafios de infraestrutura — como portos, estradas, usinas e linhas de transmissão — e que empresas brasileiras têm capacidade e interesse em contribuir.

Para isso, Lula afirmou que é essencial recuperar instrumentos de financiamento: “Nenhum grande país consegue exportar serviços sem oferecer opções de crédito”, disse, destacando que o governo trabalha para que o BNDES volte a financiar a internacionalização de empresas brasileiras.

Cooperação na saúde, agricultura e segurança alimentar

Lula explicou que o fortalecimento do complexo industrial da saúde no Brasil permitirá retomar a produção conjunta de fármacos e medicamentos em Moçambique.

Ele também destacou o potencial brasileiro para cooperar na segurança alimentar. “Com tecnologia adequada, é possível ampliar a produtividade da savana africana sem comprometer o meio ambiente”, afirmou.

O presidente anunciou ainda programas de formação profissional:

  •  até 80 vagas para formação de formadores em ciências agrárias
  •  até 400 vagas para curso técnico em agropecuária

A iniciativa envolverá o Ministério da Educação, a Agência Brasileira de Cooperação e a Embrapa, que atuará também com treinamentos presenciais e à distância para técnicos moçambicanos.

Combate à fome, à pobreza e à crise climática

O Brasil trabalha para incluir Moçambique na etapa de implementação acelerada da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Lula destacou que o país africano é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas. Por isso, propôs cooperação em duas áreas:

  1.  Proteção de biomas florestais, com troca de experiências no manejo do fogo e conservação da Floresta do Miombo.
  2.  Transição energética, com foco na produção de biocombustíveis para geração de empregos e redução da dependência de combustíveis fósseis.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Lula afirmou que o crime organizado ameaça de forma semelhante o Brasil e Moçambique. Ele colocou a Polícia Federal à disposição para colaborar:

A Polícia Federal brasileira é reconhecida internacionalmente por sua capacidade de rastrear ativos ilícitos e combater a lavagem de dinheiro.”

Educação, cultura e língua portuguesa como pilares

O presidente reforçou que o fortalecimento dos laços culturais e educacionais é essencial para aproximar os povos. Ele defendeu:

  •  ampliação da mobilidade estudantil
  •  parcerias diretas entre universidades
  •  cooperação na produção audiovisual e literária em língua portuguesa

A educação e a cultura são as melhores ferramentas para cultivar nossos laços”, disse Lula.

“Recomeço” de uma relação que não deveria ter sido interrompida

Ao final, o presidente voltou a enfatizar que a relação Brasil-Moçambique não pode mais oscilar entre aproximações e distanciamentos.

E concluiu com um recado direto ao povo moçambicano: “A minha visita a Moçambique é o recomeço de uma história que nunca deveria ter parado de acontecer.”

Lula afirmou que Brasil e Moçambique podem cooperar em todas as áreas — indústria, ciência e tecnologia, agricultura, energia, saúde e educação — e reforçou: “O Brasil está de volta e o Brasil quer colaborar com Moçambique em todas as áreas.”

Fonte: brasil247

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