Ceilândia em Alerta — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou neste sábado (26) que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) confirmou que não havia impedimento para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, continuasse atuando nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Em publicação nas redes sociais, Gilmar voltou a criticar o ministro André Mendonça, que atuou como relator de processos relacionados ao caso. Segundo Mendes, o próprio colega teria reconhecido anteriormente, em plenário, a fragilidade das suspeitas envolvendo Gonet. Para o ministro, porém, esse reconhecimento ocorreu depois que informações sigilosas já haviam sido divulgadas e repercutido publicamente.
A declaração ocorre após o Conselho Superior do MPF analisar pedidos relacionados à atuação de Gonet no caso Master. O colegiado decidiu não afastar o procurador-geral das investigações e rejeitou, por 5 votos a 4, a abertura de investigação criminal contra ele.
O caso envolve mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Parte do material foi tornada pública após decisões relacionadas ao levantamento de sigilo dos documentos. Gonet apareceu em conversas atribuídas a Vorcaro, mas afirmou que teve apenas uma interação breve com o empresário.
Gilmar questiona exposição de Gonet
Ao comentar a decisão do conselho, Gilmar Mendes afirmou que o resultado confirmou a lisura da atuação de Gonet e criticou a exposição pública do procurador-geral.
O ministro argumentou que o reconhecimento posterior da ausência de elementos graves não seria suficiente para reparar os efeitos da divulgação das informações. Em sua avaliação, quando as mensagens vieram a público, a repercussão sobre a imagem de Gonet já havia ocorrido.
Gilmar também voltou a questionar a condução do caso por André Mendonça e mencionou o que considera terem sido vazamentos seletivos durante a investigação. As declarações fazem parte de um embate público entre os dois ministros sobre a condução das apurações envolvendo o Banco Master.
Em manifestação anterior, Gilmar já havia criticado a exposição de Gonet e questionado o levantamento do sigilo de documentos relacionados à investigação. A publicação foi seguida por uma resposta de Mendonça, que defendeu a legalidade de suas decisões.
Conselho do MPF mantém Gonet
A decisão do Conselho Superior do MPF foi tomada após uma representação que questionava a permanência de Gonet nas investigações relacionadas ao Banco Master.
O colegiado analisou tanto o pedido para afastar o procurador-geral quanto a possibilidade de abertura de uma investigação sobre sua conduta. Ao final, Gonet permaneceu à frente das apurações e o pedido de investigação criminal não obteve maioria suficiente para ser instaurado.
A decisão ocorre em meio a uma sequência de episódios envolvendo diferentes integrantes do STF e as investigações sobre o Banco Master. O próprio Ceilândia em Alerta já havia acompanhado o embate entre Gilmar e Mendonça e as críticas relacionadas à divulgação de informações do caso.
Mendonça é alvo de novas críticas
As declarações de Gilmar também retomam críticas que o ministro havia feito durante a sessão do STF realizada em 15 de setembro. Na ocasião, Mendes questionou a condução das investigações por Mendonça e afirmou haver, em sua avaliação, um componente político-eleitoral no momento de divulgação de determinadas informações.
Mendonça rebateu as acusações e classificou a declaração como inadequada, defendendo que suas decisões foram tomadas dentro de suas atribuições. O episódio ampliou o debate entre os ministros sobre os limites da atuação individual durante investigações que envolvem autoridades do próprio Supremo.
O Ceilândia em Alerta também havia noticiado anteriormente o levantamento do sigilo de procedimentos relacionados ao Banco Master por Mendonça, além de outros desdobramentos envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Caso Master segue sob investigação
As investigações sobre o Banco Master continuam em andamento, com diferentes procedimentos tramitando no STF. O caso envolve suspeitas relacionadas à instituição financeira e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de questionamentos sobre contatos e relações entre o empresário e autoridades públicas.
A decisão do Conselho Superior do MPF mantém Paulo Gonet na condução das investigações, enquanto as discussões sobre a divulgação de informações, o levantamento de sigilos e a atuação dos ministros do STF continuam sendo analisadas no âmbito das instituições responsáveis.



