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Trump é retirado de jantar da imprensa após tiros em Washington

Suspeito californiano sem antecedentes foi detido antes de entrar no salão; um agente se feriu e já recebeu alta; Lula, Macron, Modi e outros líderes condenaram o ataque

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas pelo Serviço Secreto do hotel Washington Hilton, em Washington D.C., na noite do último sábado (25), durante o tradicional jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca. Um homem armado abriu fogo do lado de fora do salão e tentou forçar a entrada no evento. O suspeito foi detido antes de chegar ao salão de baile. Ninguém morreu.

O tumulto foi percebido por volta das 20h35 no horário local — 21h25 em Brasília —, quando Trump e a primeira-dama Melania já estavam sentados à mesa principal. Um barulho alto foi ouvido e, em segundos, vários agentes do Serviço Secreto cercaram o presidente e o conduziram para fora, enquanto pessoas no salão gritavam “abaixem-se, abaixem-se”. Autoridades como o diretor do FBI, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e o secretário de Defesa Pete Hegseth também foram retiradas às pressas por suas equipes de segurança. Nenhum deles ficou ferido.

Um agente de segurança foi atingido durante a ação, mas foi protegido pelo colete à prova de balas. Recebeu alta hospitalar no domingo, segundo a CNN e a NBC americanas.

Minutos após o incidente, Trump concedeu uma coletiva de imprensa. Disse que o suspeito era “um lobo solitário maluco” e afirmou que “nenhum país está imune” à violência política. “Você pode ter o melhor esquema de segurança do mundo, mas se houver um maluco, ele pode causar problemas”, declarou. O jantar foi adiado. Seria a primeira participação de Trump no evento em suas duas passagens pela presidência.

Quem é o suspeito

O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, segundo a imprensa americana. Ele disse às autoridades que tinha como alvo pessoas ligadas ao presidente Trump. Segundo fontes não identificadas citadas pela CBS News, entre cinco e oito tiros foram disparados durante o incidente.

Allen tem 31 anos e seria morador de Torrance, na Califórnia, nos subúrbios a sudoeste de Los Angeles. Segundo consta, ele trabalhava como tutor em Torrance após se formar no prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia. Um perfil no LinkedIn com o nome do suspeito o descreve como engenheiro mecânico e cientista da computação por formação, professor por vocação. O perfil indica que Allen obteve bacharelado em engenharia mecânica pelo California Institute of Technology em 2017 e, em 2025, recebeu mestrado em ciência da computação pela California State University, Dominguez Hills.

A polícia informou que ele era hóspede do hotel Washington Hilton, onde o jantar acontecia, e portava várias armas — incluindo revólveres e facas. Allen está recebendo tratamento hospitalar após o incidente e deve ser formalmente acusado na segunda-feira, respondendo por uso de arma de fogo durante crime violento e agressão a agentes federais.

A polícia acredita que Allen não tinha antecedentes criminais e não estava no radar das autoridades policiais em Washington. Publicações no Facebook aparentemente relacionadas a Cole indicam que ele chegou a receber o título de “Professor do Mês” em dezembro de 2024.

Falhas de segurança sob escrutínio

O incidente expôs vulnerabilidades sérias no protocolo de segurança do evento. O ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, Kim Darroch, afirmou à BBC que há “claros problemas de segurança” no jantar. Para entrar no prédio, basta apresentar o cartão de convite. Depois, para acessar o salão de baile, passa-se por um detector de metais e por uma revista de bolsas. “Mas é um hotel e está cheio de hóspedes que estão ali simplesmente hospedados”, acrescentou.

O correspondente-chefe da BBC na América do Norte, Gary O’Donoghue, esteve presente no jantar e relatou que caminhou até o hotel, mostrou o convite para alguém que o observou à distância e que ninguém pediu seu documento de identidade. Disse também ter sido revistado de forma superficial — e que, mesmo quando o detector apitou, não foi solicitado que esvaziasse os bolsos.

O mesmo hotel de Reagan

O incidente ocorreu no Washington Hilton, o mesmo hotel onde o então presidente Ronald Reagan foi baleado e ferido em 1981. O ataque aconteceu em 30 de março daquele ano, quando o agressor John Hinckley Jr. disparou contra Reagan enquanto ele retornava à limusine após um discurso dentro do hotel. Reagan sobreviveu, mas ficou gravemente ferido após uma bala ricochetear na lateral da limusine presidencial e atingi-lo no torso, quebrando uma costela e perfurando um dos pulmões. Uma placa no hotel marca o local do ataque.

O episódio de sábado é a terceira vez que Trump se vê alvo de algum tipo de ameaça ou ataque desde a campanha de reeleição. O mais grave incidente anterior foi em julho de 2024, quando o então candidato foi atingido na orelha por um tiro durante um comício ao ar livre em Butler, na Pensilvânia. Dois meses mais tarde, agentes do Serviço Secreto capturaram um homem armado escondido no clube de golfe de Trump, em West Palm Beach, na Flórida. O caso foi considerado uma tentativa de assassinato, e o suspeito foi condenado à prisão perpétua.

Lula e líderes mundiais condenam o ataque

A repercussão internacional foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros líderes a se manifestar publicamente. Em publicação na plataforma X, Lula expressou solidariedade a Trump e à primeira-dama Melania e foi categórico: “O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger.”

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, escreveu no X que ele e sua esposa ficaram chocados com o ocorrido. Netanyahu desejou recuperação plena ao policial ferido e saudou o Serviço Secreto dos EUA pela ação rápida e decisiva.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que “a violência nunca deve ser a resposta”, desejando melhoras a Trump e à primeira-dama. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que “a violência política não tem lugar em nenhuma democracia”.

Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron classificou o incidente como “inaceitável” e ofereceu seu total apoio a Trump. Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, considerou os eventos da noite “profundamente perturbadores” e afirmou que “a violência política não tem lugar na vida pública”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse estar “chocado”, acrescentando que qualquer ataque às instituições democráticas ou à liberdade de imprensa deve ser condenado com a maior veemência.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a violência não tem lugar na política, nunca”, agradecendo a rápida ação da polícia e dos socorristas. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que um evento destinado a homenagear a liberdade de imprensa jamais deveria se tornar um cenário de medo.

No Oriente Médio, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, condenou o incidente e expressou total rejeição a todas as formas de violência. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, também condenou a tentativa de agressão contra Trump e Melania.

Com informações do Vermelho

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