O Partido dos Trabalhadores encerrou neste domingo (26) o seu 8º Congresso Nacional com a aprovação do Manifesto “Construindo o Futuro” e a militância unificada em torno da reeleição do presidente Lula em outubro. O encerramento foi marcado pela transmissão do discurso gravado por Lula em Barcelona, onde participou da 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global. Lula não esteve presente por recomendação médica, mas sua voz chegou forte ao plenário de Brasília.
A extrema-direita capitaliza o mal-estar — e a esquerda responde
O manifesto aprovado no Congresso não suaviza o diagnóstico: “A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.”
É nesse vácuo que a extrema-direita avança. Em Barcelona, Lula nomeou o mecanismo com precisão cirúrgica: “A extrema-direita capitalizou o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo. Canalizou a frustração das pessoas inventando mentiras e mais mentiras: falando das mulheres, falando dos negros, falando da população LGBTQIA+, falando dos imigrantes. Todas as pessoas mais necessitadas passam a ser vítimas do discurso de ódio.”
A resposta progressista, disse o presidente, é uma questão de escolha: “A desigualdade não é um fato. É uma escolha política. O que faz de nós progressistas é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser sempre do lado do povo. Essa luta precisa ser global.”
O projeto: soberania, reformas e fim da escala 6×1
O manifesto organiza o projeto nacional em três eixos — reconstrução do papel do Estado, crescimento com distribuição de renda e transição produtiva e tecnológica — e propõe sete reformas estruturais: política, tributária, tecnológica, do Judiciário, administrativa, agrária e da comunicação.
O documento também incorpora o fim imediato da escala 6×1: “A luta histórica pela redução de jornada de trabalho constitui também o núcleo de um projeto de país soberano.” E vai além, defendendo que “não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições.”
O que Lula entregou — e o que vem pela frente
O manifesto lista conquistas concretas do atual mandato: crescimento médio de 2,8% ao ano, desigualdade na mínima histórica, saída do Mapa da Fome, salário mínimo com alta real de 12%, alfabetização infantil saltando de 36% para 66% e educação em tempo integral chegando a 91% dos municípios brasileiros.
Mas o documento é honesto sobre os limites: “Diante do tamanho dos desafios estruturais que o Brasil enfrenta e dos novos desafios que a atual conjuntura impõe, esse momento exige a atualização do programa e da estratégia do Partido dos Trabalhadores, tendo as eleições de 2026 como eixo central da tática política.”
Outubro como batalha decisiva
Lula convocou o campo progressista a abandonar o sectarismo e enfrentar o bolsonarismo sem recuar: “A extrema-direita grita, mente e ataca. Não podemos ter medo de falar mais alto e com muita responsabilidade. O risco que a extrema-direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado.” Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelo crime.
No encerramento, Haddad foi direto: não se pode considerar a hipótese de retrocesso em outubro. O manifesto define a reeleição de Lula como “decisiva para o futuro do Brasil e para o campo democrático internacional”, reafirmando o horizonte programático do partido: “Mais do que nunca temos de reafirmar nosso compromisso com o socialismo, e com um mundo democrático, de paz e de igualdade de direitos.”
Com informações do Vermelho
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