Em encontro com Trump, Flávio Bolsonaro pede que EUA declarem PCC e Comando Vermelho grupos terroristas

Depois de muita especulação, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou nessa terça-feira (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. No encontro, o senador pediu que Trump declare o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) grupos terroristas internacionais.

“O objetivo central da minha visita foi oferecer aos Estados Unidos uma alternativa ao que o Lula veio fazer aqui há poucas semanas. Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim fazer exatamente o contrário: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. E elas são, sim, organizações terroristas, controlam territórios inteiros no Brasil pela força, submetem populações a seu próprio código e a sua própria lei, a sua própria justiça paralela”, disse Flávio Bolsonaro, em entrevista coletiva, que atacou várias vezes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em março, o jornal The New York Times publicou uma reportagem dizendo que os EUA pretendiam classificar as facções criminosas como grupos terroristas. A classificação como terroristas dá margem para possíveis intervenções dos Estados Unidos em outros países.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro prometeu ainda, caso seja eleito, incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, grupo formado por Trump com países governados pela extrema direita.

“Eu disse ao presidente Trump que, a partir de janeiro de 27, o Brasil vai integrar o escudo das Américas junto com os Estados Unidos, com a Argentina de Milei, com El Salvador de Bukele, com o Equador de Noboa, com o Paraguai do Peña, com o Chile de Kast, com o Panamá de Mulino e com a República Dominicana de Abinader, formando uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado transnacional e o terrorismo. Esse é o lugar do Brasil”.

Sobre questões comerciais, o candidato disse que falou sobre terras raras, minerais críticos e o tarifaço.

“Temos a segunda maior reserva mundial. Somos a única alternativa real à China para o mundo livre. Sobre o meu governo, haverá parceria estratégica de longo prazo nesse setor, com investimento protegido e reindustrialização compartilhada entre os dois países. Também aproveitei o encontro para apresentar ao presidente a posição privilegiada que o Brasil ocupa no cenário mundial de terras raras e minerais críticos. Sobre o tema das tarifas, deixei claro ao presidente que, sob meu governo, não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil”.

O encontro, que teria durado uma hora e quarenta minutos, também contou com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo, foragido da Justiça brasileira por envolvimento na trama golpista.

‘Apenas uma foto’

O encontro entre Donald Trump e Flávio Bolsonaro pode ser interpretado não só como uma tentativa de mostrar uma relação próxima entre Trump e a família Bolsonaro, mas também como uma tentativa de desviar a atenção para notícias das relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”.

“Acredito que o encontro é mais para fortalecer internamente, no PL, e para ativar sua militância. Para dizer: ‘estou no jogo, sou forte, me defendam’”, disse a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mara Telles.

Para Telles, o encontro foi também uma tentativa de “marcar posição”, em função dos encontros positivos entre Lula e Trump, que tiveram uma boa repercussão, inclusive na mídia.

Já o cientista político Paulo Roberto de Souza considera o resultado do encontro “apenas uma foto”. “Uma foto que, obviamente, está sendo publicizada por sua comunicação como um grande encontro de apoio à sua candidatura”.

“Flávio vai tentar transformar em um resultado positivo tanto para o eleitorado quanto para seu campo político, que tem um incômodo com sua pré-candidatura de forma mais acentuada desde a exposição de suas conversas com Vorcaro. Não dá pra dizer que o resultado é positivo; no momento, tudo vai depender do engajamento de sua bolha e, principalmente, se conseguirá furar e engajar em bolhas não-bolsonaristas. Até o momento, parece que os memes estão engajando mais”.

*Com informações do Brasil de Fato

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