Mensagens com ameaças contra petistas e integrantes do MST provocaram reação da comunidade acadêmica; universidade abriu investigação para identificar os responsáveis.
Ceilândia em Alerta – A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, encaminhou à Polícia Federal denúncias envolvendo ameaças de morte, manifestações discriminatórias e mensagens de ódio compartilhadas em um grupo de WhatsApp atribuído a estudantes do curso de Agronomia. O caso ganhou repercussão após a divulgação de conversas relacionadas ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25), e levou a instituição a anunciar medidas para investigar os fatos e identificar os possíveis responsáveis.
Segundo reportagem do Brasil de Fato, três capturas de tela foram encaminhadas à redação do veículo e seriam provenientes de um grupo chamado Ata 118, supostamente formado por integrantes de uma turma de Agronomia. Nas conversas, participantes demonstram inconformismo com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), utilizando expressões ofensivas e ameaças dirigidas a pessoas com posições políticas diferentes.
Mensagens mencionam assassinatos e violência contra integrantes do MST
Entre os conteúdos denunciados estão declarações de um participante que afirma estar disposto a matar pessoas caso ocorra uma guerra relacionada ao resultado eleitoral. Em outra mensagem, o mesmo integrante escreve “MST eu mato”, em referência ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Também aparecem comentários que associam estudantes identificados como petistas ao movimento social, acompanhados de acusações e manifestações hostis.
As conversas incluem ainda referências a armas de fogo, imagens ofensivas contra Lula e conteúdos discriminatórios. Conforme a reportagem, uma fonte informou que, após a divulgação das mensagens, participantes do grupo teriam pressionado pessoas suspeitas de compartilhar as capturas de tela. Essas informações fazem parte do material denunciado e deverão ser examinadas pelas autoridades, uma vez que a autoria e o vínculo institucional dos envolvidos ainda dependem de confirmação.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM divulgou uma nota repudiando as manifestações e cobrando providências. Para a entidade estudantil, ameaças de morte não podem ser tratadas como brincadeiras ou simples divergências políticas. O diretório informou que formalizou a denúncia na Ouvidoria da universidade e que acompanhará a apuração, defendendo medidas para garantir a segurança dos estudantes potencialmente ameaçados.
Universidade abre investigação e encaminha denúncias à PF
Em manifestação conjunta, a direção do Centro de Ciências Rurais (CCR) e a coordenação do curso de Agronomia condenaram expressões de intolerância, violência e discriminação. As unidades acadêmicas ressaltaram que a liberdade de expressão constitui um direito fundamental, mas não autoriza ameaças ou comportamentos que atentem contra a integridade física e a dignidade de outras pessoas.
Na terça-feira (27), a Reitoria da UFSM também se pronunciou oficialmente, repudiando as ameaças e ofensas atribuídas a prováveis estudantes da instituição. A universidade informou que encaminhou os materiais à Polícia Federal e determinou a criação de uma comissão específica para investigar o episódio, identificar os envolvidos e verificar se possuem vínculo com a instituição.
A comissão deverá ouvir as pessoas relacionadas ao caso e reunir elementos que permitam avaliar a abertura de processos administrativos disciplinares. A universidade também orientou que informações adicionais sejam encaminhadas à Ouvidoria, preferencialmente acompanhadas de datas, horários, nomes e registros que possam contribuir para a identificação da autoria e a verificação dos fatos.
Identidade dos envolvidos será preservada durante a apuração
A UFSM informou que os dados dos denunciantes e das pessoas investigadas serão tratados com sigilo, conforme a legislação. Procurada pelo Brasil de Fato, a Ouvidoria explicou que não poderia fornecer detalhes sobre denúncias ou procedimentos em andamento, devido às regras de confidencialidade aplicáveis.
O episódio reacende o debate sobre os limites entre divergência política e ameaças de violência no ambiente universitário. Embora estudantes tenham direito à livre manifestação de opiniões, eventuais ameaças precisam ser apuradas pelas autoridades competentes, com respeito ao devido processo legal.
Até a publicação da reportagem, não havia confirmação definitiva sobre a identidade dos autores das mensagens. A responsabilização dependerá dos resultados das investigações conduzidas pelas autoridades policiais e pela própria universidade.
Fonte: Brasil de Fato



