Ceilândia em Alerta — Um conjunto de mensagens, áudios, fotografias e documentos mantidos pelo empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma unidade da Kopenhagen no BarraShopping, reúne registros de uma disputa financeira e de episódios da relação pessoal entre os dois. O material foi divulgado pelo Brasil 247 a partir de informações atribuídas ao PlatôBR e envolve o senador, empresários, advogados e outros integrantes de seu círculo de relações.
Segundo a publicação, a relação comercial e pessoal entre Flávio e Santini começou no início dos anos 2000 e se deteriorou depois das eleições de 2022. O conflito estaria relacionado ao encerramento da empresa Bolsotini Chocolates e Café Ltda. e a uma cobrança de R$ 1,4 milhão feita pelo ex-sócio.
O material também inclui mensagens trocadas durante o período de conflito. Em uma delas, atribuída a Flávio Bolsonaro, o senador pede que Santini se afaste de sua família e afirma ter se arrependido de escolhas feitas no passado. O ex-sócio, por sua vez, questiona se a mensagem teria sido enviada à pessoa correta.
Encontros e despesas
De acordo com o dossiê descrito pelo Brasil 247, Santini mantinha registros de conversas sobre encontros e festas privadas envolvendo pessoas próximas ao senador.
Entre os documentos citados estão mensagens relacionadas a reservas em hotéis de luxo no Rio de Janeiro. O material também apresenta informações sobre despesas atribuídas a pessoas do círculo de Flávio Bolsonaro.
Um dos casos mencionados envolve o advogado Alan Belaciano. Segundo a reportagem, mensagens e registros em posse de Santini indicariam que Belaciano teria pago mais de R$ 90 mil em equipamentos para uma academia na residência de Flávio em Brasília.
O dossiê também cita a compra de um relógio Rolex Submariner Date, em ouro branco, por R$ 305 mil, em fevereiro de 2022. Segundo a publicação, o relógio teria sido comprado em nome do advogado e destinado ao senador. Flávio já havia afirmado anteriormente que os equipamentos de academia foram obtidos por meio de um empréstimo pessoal de um amigo e classificou acusações de chantagem como infundadas.
Mensagens envolvendo aliados
O material também reúne conversas envolvendo nomes que fizeram parte do entorno político e jurídico da família Bolsonaro, entre eles Fabrício Queiroz e o advogado Frederick Wassef.
Em uma conversa atribuída a Wassef, o advogado comenta sua atuação em processos relacionados às investigações no Rio de Janeiro. Santini responde com uma avaliação sobre o ambiente de poder e as relações do grupo.
As mensagens fazem parte do acervo que, segundo o PlatôBR, foi preservado por Santini durante o período em que manteve relações comerciais e pessoais com Flávio Bolsonaro.
Citação a Kassio Nunes Marques
Outro episódio descrito na reportagem envolve uma mensagem enviada por Santini a Flávio Bolsonaro no final de 2023.
Segundo o material divulgado, o empresário mencionou ter conhecimento de tratativas relacionadas a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) e citou o ministro Kassio Nunes Marques. Na mensagem, Santini questionou Flávio sobre uma suposta interlocução relacionada a um processo.
Depois da mensagem, Flávio teria respondido propondo um encontro em seu gabinete. Segundo a reportagem, a reunião resultou em um acordo entre os dois e encerrou a disputa financeira que vinha sendo travada.
O conteúdo, portanto, apresenta a versão registrada nas mensagens mantidas por Santini. As conversas, por si só, não comprovam as interpretações ou acusações feitas a partir delas.
Disputa terminou com acordo
O conflito entre os antigos sócios teria chegado ao fim após o encontro realizado no gabinete de Flávio Bolsonaro. De acordo com o relato publicado pelo Brasil 247, as partes chegaram a um acordo e as cobranças públicas deixaram de ocorrer.
A reportagem afirma ainda que Santini posteriormente voltou a manifestar apoio político ao senador nas redes sociais.
O caso reúne registros de uma relação que envolveu negócios, amizade, conflitos financeiros e contatos políticos. As informações divulgadas têm como base documentos e mensagens atribuídos ao ex-sócio, e eventuais acusações decorrentes desse material dependem de comprovação independente.
Fonte: Brasil 247



