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Assédio eleitoral ultrapassa 3,3 mil denúncias e governo anuncia medidas para proteger trabalhadores

Títulos eleitorais brasileiros de cor verde, acompanhados de comprovantes de votação de diferentes eleições, incluindo os turnos das eleições gerais de 2022, estão sobrepostos sobre uma mesa de madeira.
Governo federal e Ministério Público do Trabalho anunciam medidas de combate ao assédio eleitoral após o registro de mais de 3,3 mil denúncias em 2026. Foto: Divulgação/MPT.

Ministério do Trabalho e Ministério Público do Trabalho intensificam fiscalização contra perseguições, ameaças e demissões motivadas por posicionamentos políticos após as eleições de 2026.

Ceilândia em Alerta – O Brasil registrou 3.396 denúncias de assédio eleitoral em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O aumento dos casos, especialmente após o segundo turno das eleições presidenciais, levou o governo federal a anunciar, nesta quinta-feira (29), um conjunto de medidas para combater perseguições políticas no ambiente profissional e assegurar o direito dos trabalhadores à liberdade de escolha eleitoral.

A iniciativa reúne o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministério Público do Trabalho, a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O objetivo é ampliar os canais de denúncia, intensificar a fiscalização e responsabilizar empregadores que utilizem relações profissionais para constranger trabalhadores em razão de suas convicções políticas.

Os números demonstram a dimensão do problema. Somente em outubro foram registradas aproximadamente 2,6 mil denúncias, incluindo 530 formalizadas nas primeiras 48 horas após a apuração do segundo turno, realizado no domingo (25). O total acumulado em 2026 já supera o volume registrado durante as eleições de 2022.

Governo anuncia fiscalização e lista de empregadores infratores

Entre as principais medidas está a disponibilização de um canal específico para denúncias de assédio eleitoral no site do Ministério do Trabalho. A população também receberá orientações por meio da Carteira de Trabalho Digital, enquanto auditores fiscais poderão lavrar autos de infração e aplicar as sanções previstas na legislação trabalhista.

O governo anunciou ainda a criação de uma lista pública de empregadores envolvidos em práticas discriminatórias. Outra iniciativa prevê a notificação de empresas de tecnologia, incluindo Google e Meta, para solicitar a retirada de conteúdos, grupos e listas de boicote organizados nas plataformas digitais.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu parte das represálias ao inconformismo de empresários com o resultado eleitoral. Segundo ele, nenhum trabalhador pode sofrer constrangimento, ameaças ou punições por suas escolhas políticas, independentemente do candidato apoiado.

O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, também destacou que a propriedade de uma empresa não concede ao empregador qualquer direito sobre a decisão eleitoral de seus funcionários. O MPT informou que demissões motivadas por convicções políticas poderão resultar em medidas judiciais e responsabilização dos envolvidos.

Perseguição política também atinge autônomos e prestadores de serviços

Embora as denúncias estejam frequentemente relacionadas às relações formais de emprego, os episódios relatados após as eleições também envolvem trabalhadores autônomos e profissionais que dependem diretamente de sua clientela para obter renda.

Ao Brasil de Fato, o personal trainer Luiz Gilla, do Rio de Janeiro, relatou ter perdido 12 clientes depois de manifestar publicamente suas posições políticas nas redes sociais. Segundo o profissional, algumas pessoas chegaram a adverti-lo de que sua manifestação poderia prejudicar indicações e comprometer sua atividade econômica.

O episódio ilustra como divergências eleitorais podem produzir consequências financeiras fora das relações tradicionais de emprego. Entretanto, a caracterização jurídica de cada situação depende das circunstâncias, das provas disponíveis e da legislação aplicável.

Especialistas em Direito apontam que práticas discriminatórias podem contrariar garantias constitucionais e dispositivos da Lei nº 9.029/1995, que proíbe determinadas formas de discriminação nas relações de trabalho.

Vítimas podem buscar apoio jurídico e denunciar perseguições

Diante do crescimento das denúncias, advogados e organizações da sociedade civil passaram a desenvolver iniciativas de orientação e acolhimento. Uma delas é o perfil @respeitameuvoto, criado para aproximar pessoas que relatam perseguição política de profissionais dispostos a oferecer assistência jurídica.

A advogada eleitoralista Roberta Battisti, uma das idealizadoras da iniciativa, explicou ao Brasil de Fato que a proposta surgiu após o recebimento de diversos relatos de assédio e da manifestação de advogados interessados em ajudar as vítimas.

Trabalhadores que enfrentarem ameaças, constrangimentos ou represálias por suas escolhas eleitorais podem procurar o MPT ou utilizar o canal específico anunciado pelo Ministério do Trabalho. Mensagens, documentos e outros registros podem contribuir para a apuração das denúncias.

As medidas anunciadas reforçam que o voto é uma decisão individual e sigilosa, e que divergências políticas não autorizam ameaças, discriminação ou punições no ambiente profissional.


Fonte: Brasil de Fato

Canal oficial de denúncias: Ministério do Trabalho e Emprego

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