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Catar nega interferência nas eleições de Israel e acusa aliados de Netanyahu de espalhar desinformação

Mulher de costas, vestindo blusa clara e calça escura, caminha segurando um buquê de flores amarelas. À esquerda, um homem com roupas tradicionais judaicas, chapéu preto e barba fala ao celular. Ao fundo, motocicletas estacionadas e cartazes políticos em uma rua de Israel.
Cartaz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Jerusalém durante a apuração das eleições parlamentares de Israel, marcadas pelo crescimento da representação dos partidos de maioria árabe. Foto: Ilia Yefimovich/AFP.

Governo catari rejeita acusações de financiamento estrangeiro para mobilizar eleitores árabes; Justiça israelense determina investigação, mas autoridades afirmam não haver provas de fraude generalizada.

Ceilândia em Alerta – O governo do Catar negou nesta quinta-feira (29) qualquer participação em supostas tentativas de interferência nas eleições parlamentares de Israel, realizadas na terça-feira (27). A manifestação ocorreu após o partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, levantar suspeitas de que recursos estrangeiros teriam sido utilizados para estimular a participação de eleitores árabes. O governo catari classificou as acusações como infundadas e afirmou que aliados do premiê israelense estão promovendo desinformação em meio à disputa pelo controle do Parlamento.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, rejeitou categoricamente as alegações de financiamento eleitoral e criticou a utilização de seu país nas disputas políticas internas de Israel. Segundo ele, o Catar vem sendo responsabilizado por diferentes acontecimentos da política israelense sem a apresentação de provas que sustentem as acusações. O representante também pediu que o futuro governo israelense respeite o direito internacional e reconheça o direito dos palestinos à autodeterminação.

Crescimento dos partidos árabes altera cenário político em Israel

A controvérsia surgiu após o crescimento expressivo dos partidos de maioria árabe nas eleições israelenses. Com mais de 94% dos votos apurados, a Lista Conjunta e o Ra’am projetavam conquistar, juntos, 19 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento de Israel. Nas eleições de 2022, essas legendas haviam obtido dez assentos, o que demonstra uma ampliação significativa da representação política dos cidadãos palestinos de Israel.

Apesar de o Likud permanecer como a maior legenda individual, o bloco liderado por Netanyahu alcançava 53 cadeiras, número insuficiente para formar uma maioria parlamentar, que exige pelo menos 61 assentos. O principal grupo de oposição, liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot, somava 48 representantes, tornando os partidos de maioria árabe relevantes para as negociações sobre a composição do próximo governo.

Diante desse cenário, integrantes do Likud passaram a questionar a origem dos recursos utilizados por organizações que incentivaram a participação eleitoral da população árabe. O partido também mencionou suspeitas de envolvimento da Turquia, mas não apresentou publicamente provas de que os dois países tenham financiado irregularmente atividades eleitorais.

Justiça determina apuração, mas autoridades contestam denúncias de fraude

O presidente da Comissão Eleitoral Central de Israel, juiz Noam Sohlberg, determinou que o Shin Bet, serviço de segurança interna israelense, investigue possíveis casos de financiamento estrangeiro e compra de votos. A solicitação foi encaminhada ao diretor da agência, David Zini, e ressalta que as informações recebidas são graves, embora sua veracidade ainda não tenha sido comprovada.

A determinação judicial não responsabiliza o Catar nem a Turquia pelas supostas irregularidades. Também não significa que tenham sido identificadas fraudes na contagem dos votos. Segundo o jornal israelense Haaretz, autoridades policiais consideraram sem fundamento as acusações mais amplas de que partidos árabes teriam manipulado o resultado eleitoral. A direção da Comissão Eleitoral informou não ter conhecimento de irregularidades sistemáticas capazes de comprometer a votação.

O líder oposicionista Gadi Eisenkot defendeu a investigação de qualquer suspeita de interferência estrangeira, mas alertou contra a utilização política das denúncias para atrasar a instalação do novo Parlamento, prevista para 10 de novembro. Já Yair Golan, dirigente do partido Democratas, acusou Netanyahu de tentar deslegitimar o resultado eleitoral. Representantes da Lista Conjunta também criticaram as denúncias, interpretando-as como uma tentativa de questionar a participação política da população palestina.

Acusações ocorrem em meio a tensões regionais

A disputa eleitoral israelense também provocou manifestações de autoridades do Irã e do Hezbollah, no Líbano. Representantes de ambos afirmaram que suas posições em relação à política israelense não dependem de quem assumirá o próximo governo, reiterando críticas às operações militares de Israel na região.

O episódio ocorre ainda em meio às investigações do chamado Qatargate, que envolvem suspeitas de pagamentos a assessores próximos de Netanyahu para promover interesses cataris. Essas apurações são distintas das acusações de interferência nas eleições de outubro.

Enquanto prosseguem as negociações para a formação do governo israelense, a investigação sobre possível financiamento estrangeiro deverá esclarecer se houve irregularidades. Até o momento, as acusações permanecem sem comprovação pública, e o crescimento da representação árabe no Parlamento constitui um dos principais resultados políticos da eleição.


Fonte: Brasil de Fato

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