Ceilândia em Alerta — O setor de serviços continua sendo o principal motor da economia do Distrito Federal, responsável por 95,4% do valor adicionado bruto da região. Mesmo com a forte presença da administração pública, a economia brasiliense busca ampliar a participação da iniciativa privada e fortalecer atividades como tecnologia, serviços financeiros, construção civil e logística. O desempenho dessas atividades influencia diretamente a geração de renda e as oportunidades de trabalho no DF.
Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), publicado em 2025 com dados referentes a 2023, a economia local registrou o terceiro ano consecutivo de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) do DF avançou 3,3% em volume, alcançando R$ 365,7 bilhões em valores nominais.
O setor de serviços movimentou R$ 310,128 bilhões em valor adicionado bruto e cresceu 3,2% no período analisado. A predominância das atividades terciárias contribui para a resistência da economia local diante das oscilações nacionais, embora especialistas defendam a diversificação das atividades produtivas para ampliar a geração de empregos e renda.
Setor financeiro e tecnologia ganham espaço
Entre as atividades que mais avançaram está o segmento financeiro, de seguros e serviços relacionados, que registrou crescimento de 13,2%. A participação dessas atividades na economia do DF passou de 19,9% para 20,8%, impulsionada pela presença de grandes instituições financeiras e pela demanda por crédito e serviços corporativos.
O setor de informação e comunicação também apresentou desempenho positivo, com expansão real de 5,4% em 2023. Os resultados reforçam o potencial de atividades ligadas à tecnologia da informação, aos serviços digitais e à oferta de soluções empresariais de maior valor agregado.
Para especialistas, o fortalecimento desses segmentos pode ajudar a reduzir a dependência econômica do setor público e ampliar as oportunidades para empresas privadas.
Construção civil e agronegócio também contribuem
A construção civil continua tendo participação importante na atividade industrial do Distrito Federal. O segmento representa 52,7% do valor adicionado bruto da indústria local, com R$ 7,099 bilhões. Apesar de uma retração de 1,5% no volume registrado pelo levantamento, a atividade permanece relevante para a geração de empregos e a movimentação de outros setores.
O setor mantém perspectivas de expansão no mercado local, conforme as projeções para a construção civil no Distrito Federal em 2026.
Já o comércio atacadista e a logística podem se beneficiar da localização geográfica do DF, que favorece a instalação de centros de distribuição e estruturas de comércio eletrônico.
A agropecuária também apresentou crescimento expressivo, com alta de 9,3% em volume. A expansão foi favorecida pela avicultura, pela criação de aves e pela produção de ovos, além da integração entre produtores locais e grandes empresas do setor.
Economia do DF cresce acima da média regional
Dados experimentais do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE indicaram que o PIB do Distrito Federal cresceu 2,9% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. No Centro-Oeste, a expansão registrada foi de 1,6%.
Segundo as estimativas citadas no levantamento, o DF respondeu por aproximadamente 75% do crescimento do valor adicionado do setor de serviços em toda a região Centro-Oeste. O desempenho ajudou a compensar a retração estimada de 1,2% na indústria local no período.
Apesar dos resultados positivos, as perspectivas apontam para uma desaceleração econômica nos próximos meses. Juros elevados, endividamento das famílias e incertezas fiscais e climáticas estão entre os fatores que podem limitar o ritmo de expansão.
Qualificação profissional é desafio para os próximos anos
O economista e professor do Ibmec Brasília Renan Silva avalia que tecnologia da informação, comunicação e atividades financeiras estão entre os segmentos com maior potencial de crescimento no médio prazo. Para ele, a construção civil, o comércio atacadista e a logística também podem ampliar a oferta de empregos no curto prazo.
O especialista aponta obstáculos à atração de investimentos privados, como o custo elevado dos terrenos e a insegurança jurídica relacionada à regularização fundiária e à concessão de lotes industriais.
A professora do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Andrea Felippe Cabello, destaca que a administração pública pode contribuir para o desenvolvimento de negócios privados quando atua como indutora de novos investimentos e atividades econômicas.
A economista também defende que a qualificação profissional seja tratada como prioridade pelo governo distrital e pelas instituições de ensino. Segundo ela, a falta de trabalhadores capacitados poderá dificultar a expansão de setores com potencial de crescimento, especialmente os ligados à tecnologia e aos serviços especializados.
Dependência do setor público continua relevante
Apesar da busca por diversificação, a administração pública permanece importante para a estabilidade econômica do Distrito Federal. Os salários do funcionalismo e as compras governamentais ajudam a sustentar o consumo e a demanda por bens e serviços.
O economista e professor do Ibmec Brasília Willian Baghdassarian avalia que a economia local deverá acompanhar a desaceleração esperada para o país, com crescimento mais moderado em 2027. A reforma tributária e seus efeitos sobre os custos empresariais também estão entre os fatores que exigem atenção.
Outro desafio envolve a situação financeira do Banco de Brasília (BRB) e os possíveis impactos sobre as contas públicas e os fundos de previdência do DF.
O cenário indica que a manutenção do crescimento dependerá da capacidade de fortalecer o setor privado, ampliar a qualificação da mão de obra e estimular atividades econômicas de maior produtividade, sem perder de vista a importância dos serviços públicos para a sustentação da economia local.
Economia do DF em números
- PIB: R$ 365,7 bilhões em valores nominais, com crescimento real de 3,3% em 2023.
- Setor de serviços: representa 95,4% do valor adicionado bruto da economia distrital.
- Atividades financeiras: crescimento de 13,2% no período analisado.
- Construção civil: responde por 52,7% do valor adicionado bruto da indústria local.
- Agropecuária: expansão de 9,3% em volume.
- PIB do DF no segundo trimestre de 2026: crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados experimentais citados no levantamento.
Fonte: Correio Braziliense



