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BASTARAM DOIS DIAS DE MOURÃO PARA O CLÃ BOLSONARO COMEÇAR GUERRA

O protagonismo do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), vem incomodando o núcleo familiar e político do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e alavancou uma guerra surda no interior do governo. As críticas foram engrossadas devido às posições tomadas por Mourão nos dois períodos em que esteve à frente da Presidência da República onde conseguiu se posicionar como uma espécie de contraponto as ideias defendidas por Bolsonaro. Um dos filhos de Bolsonaro teria chegado a comentar com pessoas próximas que o general tentava se firmar como uma pessoa preparada na possibilidade de alguma desestabilização do governo.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, as cabeçadas entre Mourão e Bolsonaro, porém, começaram ainda na campanha eleitoral. Após o atentado a faca sofrido por Bolsonaro durante um ato de campanha em Minas Gerais, Mourão tentou assumir as rédeas da campanha e quis ocupar o lugar de Bolsonaro nos debates. A atitude, contudo, foi prontamente afastada pelos três filhos do ex-capitão. O então candidato à presidência chegou a impedir Mourão de falar em nome da campanha.

Na semana passada, ao assumir interinamente o comando do Executivo devido a uma viagem de Bolsonaro ao Fórum Econômico Mundial, de Davos, na Suíça, Mourão disse que a flexibilização do porte de armas, uma das principais bandeiras de campanha de Bolsonaro, não tem efeito prático no combate à violência e que a aprovação da medida teria sido uma forma de agradar a sua base. A negativa feita pelo general sobre a transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, algo que também havia sido prometido por Bolsonaro à bancada evangélica, também teria causado desconforto entre aliados e familiares do presidente.

No chamado núcleo duro do governo, os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, também estariam demonstrando um certo incômodo com os constantes questionamentos feitos por Mourão e outros membros militares do governo, como os generais do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Mourão também vem defendendo uma apuração rigorosa em torno das suspeitas da movimentação financeira do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Para Mourão, que afirmou que o que pesa nas suspeitas é o sobrenome de Flávio, o caso pode vir a se tornar um problema de governo.

Um outro ponto de atrito está ligado ao tratamento dado por Mourão à imprensa, que o vem tratando com simpatia. Enquanto Bolsonaro seleciona apenas as emissoras governistas – Record e SBT – para dar entrevistas, além de atacar a mídia em função de matérias críticas, Mourão trata os jornalistas de forma amigável.

O ponto alto da cizânia foi a declaração de Mourão, nesta terça-feira 29, de que apoiaria uma decisão para que o ex-presidente Lula deixasse a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde é mantido como preso político, para acompanhar o velório do irmão. “Questão de humanidade”, disse Mourão. Pelo visto, o mal-estar deve continuar.

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