Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong apontou uma relação entre o consumo de açúcar nos primeiros anos de vida e o risco de desenvolver demência na idade adulta. A pesquisa, publicada na revista científica Neurology, analisou dados de mais de 67 mil pessoas e, segundo o Correio Braziliense, sugere que a restrição ao açúcar na gestação e na primeira infância pode trazer benefícios duradouros para a saúde cerebral.
Os pesquisadores observaram que pessoas expostas a um menor consumo de açúcar desde o período gestacional até os dois anos de idade apresentaram menor risco de desenvolver demência e um atraso no surgimento do declínio cognitivo ao longo da vida.
Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram dados de 64.737 pessoas nascidas antes e depois do período de racionamento de açúcar no Reino Unido durante e após a Segunda Guerra Mundial. O alimento voltou a ser amplamente comercializado em 1953, permitindo a comparação entre grupos com diferentes níveis de exposição ao açúcar nos primeiros anos de vida.
Entre os participantes que viveram sob restrição de açúcar desde antes do nascimento até o primeiro ano de vida, 388 desenvolveram demência. No grupo que passou pela restrição até os dois anos de idade, foram registrados 456 casos. Já entre aqueles nascidos após o fim do racionamento, quando o consumo voltou ao normal, 504 receberam o diagnóstico da doença.
Após considerar fatores como idade, sexo, hipertensão e diabetes, os pesquisadores concluíram que a exposição reduzida ao açúcar antes do nascimento e até um ano de idade esteve associada a um risco 21% menor de demência. Para aqueles que tiveram restrição até os dois anos, a redução do risco foi de 23%.
O estudo também indicou que, entre pessoas com menor exposição ao açúcar no início da vida, o desenvolvimento da demência ocorreu, em média, 2,6 anos mais tarde do que nos demais participantes.
Segundo o pesquisador Jiazhen Zheng, autor do estudo, os resultados reforçam a importância da alimentação nos primeiros anos de vida para a saúde cerebral ao longo das décadas, embora sejam necessárias novas pesquisas para confirmar os mecanismos envolvidos.
Especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense ressaltam que a pesquisa é observacional e não comprova relação direta de causa e efeito. Ainda assim, destacam que o consumo excessivo de açúcar, principalmente por meio de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, já está associado a doenças como obesidade, diabetes, síndrome metabólica, alguns tipos de câncer e ao aumento do risco de comprometimento cognitivo.
Além da alimentação, médicos lembram que hábitos como praticar atividade física regularmente, controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, manter um peso saudável, dormir bem, evitar o tabagismo e estimular a atividade intelectual também estão entre os principais fatores que ajudam a reduzir o risco de demência ao longo da vida.
*Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



