Vídeos com IA que recriam famosos mortos reacendem debate sobre ética e uso da tecnologia

Vídeos produzidos com inteligência artificial que recriam artistas e personalidades já falecidos voltaram a gerar discussões nas redes sociais após a divulgação de uma montagem em que celebridades são “salvas” de mortes que marcaram a história recente. O conteúdo, publicado pelo perfil Nerd Soul AI, reacendeu o debate sobre os limites éticos da tecnologia, segundo reportagem do Metrópoles.

Na produção, nomes como Marília Mendonça, Domingos Montagner, Chorão, Ayrton Senna e Paulo Gustavo aparecem em situações fictícias nas quais conseguem evitar as circunstâncias que levaram às suas mortes.

A cena envolvendo o humorista Paulo Gustavo foi a que provocou maior repercussão negativa. No vídeo, ele recebe uma máscara de proteção contra a Covid-19, o que levou parte dos internautas a interpretar que a montagem poderia sugerir, de forma equivocada, que o ator não teria adotado medidas de prevenção durante a pandemia.

O caso não é isolado. Nos últimos anos, conteúdos criados por inteligência artificial passaram a recriar artistas já falecidos em diferentes contextos, como eventos esportivos, apresentações públicas e situações hipotéticas, dividindo opiniões entre familiares, fãs e especialistas.

Para o pai do cantor Gabriel Diniz, Cizinato Diniz, esse tipo de conteúdo pode representar uma forma de preservar a memória do artista, desde que seja produzido com respeito. Segundo ele, o problema surge quando a tecnologia é utilizada para atacar ou desrespeitar pessoas que já morreram.

Especialistas em direito digital afirmam que, embora não exista uma legislação específica sobre o tema no Brasil, a imagem e a voz continuam protegidas pelos chamados direitos da personalidade mesmo após a morte. Nesses casos, familiares podem recorrer à Justiça quando entendem que houve uso indevido da identidade de uma pessoa falecida.

A advogada Amanda Celli Cascaes explica que a proteção tem fundamento na Constituição Federal e no Código Civil. Ela ressalta, porém, que ainda existem lacunas na legislação brasileira sobre conteúdos produzidos por inteligência artificial.

Segundo a especialista, o Projeto de Lei nº 2.338/2023, conhecido como Marco Legal da Inteligência Artificial, poderá preencher parte dessas lacunas caso seja aprovado. O texto estabelece regras para o desenvolvimento e o uso da IA no país, incluindo mecanismos de transparência e responsabilização.

A advogada Yasmin Arrighi destaca que um dos principais desafios jurídicos está na ausência de consentimento quando a pessoa retratada já morreu. Já o especialista em inteligência artificial Leonardo Soares alerta que o crescente realismo dessas ferramentas amplia o risco de desinformação, golpes, manipulação da opinião pública e impactos emocionais para familiares e admiradores.

Procurado pela reportagem, Thales Bretas, viúvo de Paulo Gustavo, preferiu não comentar o vídeo. A mãe do humorista, Déa Lúcia, e a família de Silvio Santos também não se manifestaram até a publicação da reportagem.

*Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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