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Governo reforça segurança em aldeias indígenas de MS após denúncias de ameaças e violência

Presidente Lula ao lado da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, em registro oficial da Presidência da República.
Presidente Lula ao lado da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, em registro oficial da Presidência da República.

Ministra dos Direitos Humanos afirma que todos os casos conhecidos estão sob investigação; Força Nacional terá efetivo ampliado para proteger comunidades Guarani Kaiowá.

Ceilândia em Alerta – O governo federal anunciou o reforço da segurança em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após denúncias de ameaças, agressões e possíveis crimes de motivação política registrados depois do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Durante visita ao estado neste sábado (31), a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, afirmou que todos os casos levados ao conhecimento das autoridades federais estão sob investigação e garantiu acompanhamento das denúncias por uma força-tarefa interministerial.

A comitiva visitou as aldeias Sassoró, no município de Tacuru, e Taquaperi, em Coronel Sapucaia, ambas próximas à fronteira com o Paraguai. A missão teve como objetivo ouvir lideranças Guarani Kaiowá, verificar as situações relatadas e definir medidas para ampliar a proteção das comunidades.

Além de Janine Mello, participaram da mobilização o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Representantes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas e de órgãos estaduais também foram envolvidos nas ações.

Força Nacional terá reforço e atendimento rápido às aldeias

O ministro da Justiça anunciou a ampliação do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública em Mato Grosso do Sul. A medida pretende garantir presença policial nos territórios e melhorar a capacidade de resposta diante de novas ameaças ou ocorrências violentas.

Segundo Wellington César Lima e Silva, será adotado um procedimento de acompanhamento contínuo, com equipes disponíveis para deslocamento imediato quando forem identificadas situações de risco. O acionamento poderá ocorrer por meio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal ou das forças estaduais.

O sistema também prevê o registro de imagens e informações sobre as ocorrências, permitindo documentar possíveis crimes e auxiliar na identificação dos responsáveis.

A ministra Janine Mello informou que uma força-tarefa envolvendo os ministérios dos Direitos Humanos, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial acompanhará as investigações. O trabalho deverá manter diálogo com as comunidades e com os órgãos responsáveis pela apuração.

O governo também colocou à disposição das vítimas o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Conforme dados oficiais, 86 indígenas de Mato Grosso do Sul já são acompanhados pelo programa, entre integrantes dos povos Guarani Kaiowá e Terena.

Ameaça de envenenamento da água está entre os casos investigados

Uma das denúncias mais graves envolve a aldeia Sassoró, onde circularam gravações atribuídas a dois servidores da Prefeitura de Tacuru contendo ameaças de envenenar a água consumida pela comunidade.

Os funcionários foram afastados de suas atividades, e a Polícia Federal realizou diligências para esclarecer os fatos. Segundo o ministro Eloy Terena, os suspeitos já foram ouvidos, enquanto o monitoramento da qualidade da água deverá ser reforçado.

Informações preliminares divulgadas pelo Ministério Público Federal não identificaram contaminação dos poços examinados. Isso, entretanto, não encerra a investigação sobre as ameaças registradas nas gravações.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 denúncias de violência contra indígenas após as eleições. O Ministério dos Povos Indígenas, por sua vez, informou ter recebido dez casos após a análise inicial dos relatos, sendo quatro em Mato Grosso do Sul.

Eloy Terena explicou que nem todas as ocorrências podem ser classificadas, neste momento, como crimes políticos. Segundo o ministro, a investigação preliminar identificou uma possível ligação direta com motivação eleitoral no episódio da ameaça de envenenamento. Outros casos, incluindo denúncias de atropelamentos, continuam sendo examinados.

A distinção é importante porque a existência de denúncias não significa que todas as circunstâncias, responsabilidades e motivações já tenham sido comprovadas.

Conflitos históricos agravam insegurança dos povos indígenas

As lideranças Guarani Kaiowá denunciam há anos episódios de violência e conflitos territoriais em Mato Grosso do Sul. A disputa pela posse e demarcação de terras, incluindo as controvérsias relacionadas ao marco temporal, integra o contexto de insegurança enfrentado pelas comunidades.

A ampliação da presença da Força Nacional atende a uma reivindicação antiga dessas lideranças, que solicitam medidas permanentes de proteção, e não apenas intervenções após episódios de maior repercussão.

O governo federal orientou vítimas e testemunhas a preservar gravações, mensagens, imagens e outros registros que possam contribuir para as investigações. As denúncias podem ser encaminhadas à Polícia Civil, ao Ministério Público ou ao Disque Direitos Humanos, pelo número 100. Em situações de perigo imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

A atuação da força-tarefa deverá continuar enquanto houver necessidade de apuração e proteção das comunidades. O desafio das autoridades será identificar os responsáveis pelas ameaças, assegurar a integridade dos moradores e enfrentar as condições históricas que alimentam os conflitos nos territórios indígenas.


Fonte: Brasil de Fato

Fonte complementar: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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