Morador de Brasília, Daniel Vidal quer criar um ministério para pessoas com deficiência, ampliar o acesso à tecnologia assistiva e incentivar a participação dos jovens na política.
Ceilândia em Alerta – Aos 13 anos, o estudante brasiliense Daniel Vidal Moura já tem um projeto para o futuro: tornar-se presidente da República. Cego, com menos de 5% da visão em ambos os olhos, o adolescente ganhou destaque após abraçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma homenagem ao aniversário de 81 anos do chefe do Executivo, realizada em 27 de outubro, em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro durou aproximadamente 50 segundos, tempo suficiente para Daniel demonstrar sua admiração, mas não para apresentar todas as propostas que gostaria de discutir.
Acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, o garoto decidiu participar da homenagem assim que soube da mobilização. Em entrevista à Agência Brasil, publicada neste domingo (1º), contou que gostaria de ter conversado mais sobre políticas públicas, acessibilidade e participação da juventude nas decisões nacionais.
Entre suas principais propostas está a criação de um ministério exclusivo para as pessoas com deficiência, responsável por fortalecer políticas de inclusão e enfrentar barreiras que ainda dificultam o exercício de direitos no país.
Acessibilidade e tecnologia assistiva estão entre suas prioridades
Daniel nasceu com amaurose congênita de Leber, uma condição genética que compromete gravemente a visão. O diagnóstico ocorreu quando ele tinha apenas dois meses de vida. Desde a infância, seus pais procuraram oferecer estímulos para que desenvolvesse autonomia, participasse de atividades e tivesse acesso ao conhecimento.
Morador da Asa Sul, no Distrito Federal, o estudante afirma que a falta de acessibilidade está presente em diferentes espaços públicos e privados. Ele menciona calçadas irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e dificuldades no transporte coletivo.
Embora sua deficiência seja visual, Daniel demonstra preocupação com as barreiras enfrentadas por outras pessoas com deficiência, incluindo aquelas que utilizam cadeiras de rodas.
A proposta de criar um ministério específico surge dessa percepção de que a inclusão precisa ocupar uma posição de destaque nas decisões governamentais. Atualmente, o Brasil conta com a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Outro tema defendido pelo adolescente é a ampliação do acesso à tecnologia assistiva. Para acompanhar as atividades escolares, ele utiliza um teclado eletrônico em braille conectado ao computador, equipamento que considera fundamental para seus estudos.
Daniel acredita que o poder público deveria garantir recursos semelhantes a estudantes que necessitam dessas tecnologias, mas não possuem condições financeiras para adquiri-las.
Família incentiva conhecimento e combate ao preconceito
A mãe de Daniel, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, conta que o interesse do filho pelo conhecimento começou muito cedo. Segundo ela, a família sempre incentivou a leitura e o contato com diferentes assuntos, contribuindo para o desenvolvimento de seu interesse por história, economia e geopolítica.
O adolescente acompanha notícias nacionais e internacionais e demonstra preocupação com a desigualdade social. Entre os temas que despertam sua atenção estão as políticas de combate à fome, a geração de empregos e as condições de vida da população brasileira.
O enfrentamento ao capacitismo também faz parte das conversas familiares. Daniel entende que as pessoas com deficiência precisam continuar reivindicando direitos e combatendo atitudes discriminatórias.
Seu pai, Fernando, destaca que a educação familiar também envolve discussões sobre racismo, homofobia e outras formas de preconceito. A intenção é estimular o respeito às diferenças e mostrar que nenhuma pessoa deve ser excluída por suas características ou condições.
Participação política dos jovens é outra bandeira
Apesar de ainda não ter idade para votar, Daniel considera importante que crianças e adolescentes acompanhem os acontecimentos políticos e participem de debates sobre o futuro do país.
Ele costuma conversar com colegas sobre questões sociais e defende que a juventude tenha espaço para expressar opiniões e apresentar propostas.
O estudante também acredita que os governantes devem ser cobrados pelo cumprimento de seus compromissos, independentemente da admiração que despertem entre os eleitores.
Para Daniel, o desenvolvimento do Brasil depende de investimentos em políticas públicas, redução das desigualdades e ampliação das oportunidades para a população.
A mãe afirma que seu maior desejo é que o filho seja feliz e tenha acesso às oportunidades necessárias para realizar seus projetos.
A história de Daniel evidencia a importância de garantir às pessoas com deficiência não apenas acesso à educação e à tecnologia, mas também condições efetivas de participação política e social. Seu desejo de chegar à Presidência da República vem acompanhado de propostas concretas e de uma reivindicação que ultrapassa sua experiência pessoal: um Brasil com menos barreiras e mais direitos para todos.
Fonte: Agência Brasil



