Manifestação em Buenos Aires reuniu centenas de apoiadores da ex-presidenta argentina; participantes questionam falta de respostas sobre possíveis mandantes e financiadores do ataque ocorrido em 2022.
Centenas de apoiadores da ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner se reuniram nesta terça-feira (1º), em Buenos Aires, para marcar os quatro anos da tentativa de assassinato sofrida pela líder peronista e cobrar o aprofundamento das investigações sobre o atentado.
A manifestação ocorreu em frente ao prédio onde Cristina cumpre prisão domiciliar, no bairro de Constitución. Durante o ato, a ex-presidenta apareceu na sacada do apartamento e acenou para os apoiadores reunidos na rua.
Cristina foi alvo de uma tentativa de assassinato em 1º de setembro de 2022. Na ocasião, o brasileiro Fernando Sabag Montiel apontou uma arma a poucos centímetros da cabeça da então vice-presidenta e apertou o gatilho, mas o disparo não ocorreu.
Montiel foi condenado a dez anos de prisão em 2025. Apesar da responsabilização do autor material, familiares e aliados de Cristina continuam cobrando esclarecimentos sobre a possível existência de mandantes ou financiadores do atentado.
Máximo Kirchner cobra investigação sobre atentado
Durante a manifestação, o deputado Máximo Kirchner, filho da ex-presidenta, criticou a falta de avanços na identificação de eventuais responsáveis pelo planejamento e financiamento do ataque.
Em seu discurso, Máximo afirmou que a democracia não admite a eliminação física de adversários políticos e cobrou uma investigação mais aprofundada das autoridades argentinas. Segundo ele, possíveis responsáveis pela organização do atentado continuam fora do alcance da Justiça.
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, também se manifestou sobre o aniversário do ataque. O dirigente peronista classificou como grave o fato de, quatro anos depois, a investigação não ter apresentado resultados conclusivos sobre possíveis mandantes.
O atentado contra Cristina provocou forte repercussão internacional em 2022. Naquele momento, diferentes lideranças latino-americanas manifestaram solidariedade à então vice-presidenta, entre elas Luiz Inácio Lula da Silva, que disputava a Presidência do Brasil.
Ato também ganha dimensão eleitoral
A manifestação ocorreu pouco mais de um ano antes da próxima eleição presidencial argentina e também foi marcada por críticas ao governo de Javier Milei.
Máximo Kirchner defendeu a recuperação dos direitos políticos de Cristina e mencionou o recurso apresentado pela defesa da ex-presidenta ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Em 2025, a Suprema Corte argentina manteve decisão que impede Cristina Kirchner de disputar cargos públicos de forma vitalícia. Seus advogados buscam reverter os efeitos políticos da condenação.
Durante o discurso, Máximo também criticou a política econômica do governo Milei e defendeu que a oposição apresente de forma mais clara à população suas críticas às medidas adotadas pela atual administração.
Axel Kicillof, apontado como um dos possíveis nomes do peronismo para a próxima disputa presidencial, reforçou as críticas à situação jurídica de Cristina e voltou a cobrar respostas sobre a tentativa de assassinato.
Quatro anos depois do ataque, a condenação do autor material encerrou uma parte do processo judicial, mas o debate sobre a eventual participação de outras pessoas no planejamento ou financiamento do crime permanece no centro das cobranças dos apoiadores da ex-presidenta.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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