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Eleições nos EUA: apuração começa nesta terça-feira, mas resultado final pode demorar semanas

Eleitores participam de votação nos Estados Unidos, utilizando cabines eleitorais com divisórias vermelhas, brancas e azuis e bandeiras americanas. O local de votação funciona em um ginásio, com pessoas preenchendo cédulas e consultando documentos.
Eleitores participam das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirão a composição da Câmara dos Representantes e do Senado. Foto: Angela Weiss/AFP.

Mais de 56 milhões de americanos votaram antecipadamente; diferenças nas regras estaduais e disputas apertadas podem atrasar a definição do controle do Congresso.

Ceilândia em Alerta – Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que definirão a composição do Congresso norte-americano pelos próximos dois anos. Embora os primeiros resultados devam começar a ser divulgados a partir das 20h, pelo horário de Brasília, a definição de qual partido controlará a Câmara dos Representantes e o Senado poderá levar dias ou até semanas.

A demora está relacionada às características do sistema eleitoral norte-americano. Diferentemente do Brasil, onde a Justiça Eleitoral centraliza a apuração e a divulgação dos resultados, nos Estados Unidos cada um dos 50 estados possui regras próprias para receber, verificar e contabilizar os votos.

Além disso, a utilização de cédulas de papel, o grande número de votos antecipados e as disputas com pequenas diferenças entre candidatos podem prolongar a contagem. Em alguns estados, votos enviados pelo correio continuam sendo recebidos mesmo depois do encerramento da votação presencial, desde que respeitem os prazos legais.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, mais de 56 milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, presencialmente ou pelo correio. Esse volume aumenta o trabalho de conferência e processamento das cédulas, especialmente em estados populosos.

Primeiros resultados começam às 20h no horário de Brasília

O encerramento da votação nos Estados Unidos ocorre gradualmente, devido aos diferentes fusos horários do país.

Os primeiros locais de votação começam a fechar às 20h desta terça-feira, pelo horário de Brasília, em partes dos estados de Indiana e Kentucky. A partir desse momento, as autoridades eleitorais poderão iniciar a divulgação dos resultados preliminares dessas regiões.

A contagem avançará ao longo da noite, conforme outros estados encerrarem suas votações. No Alasca e no Havaí, a divulgação dos últimos resultados iniciais está prevista para a madrugada de quarta-feira (4).

Entretanto, a divulgação dos primeiros números não significa que os vencedores já estejam oficialmente definidos. Em disputas com margens pequenas, será necessário aguardar a contabilização de votos adicionais antes de confirmar o resultado.

A imprensa norte-americana costuma utilizar modelos estatísticos para projetar os vencedores, considerando os votos já contabilizados, o perfil das regiões e a quantidade de cédulas ainda pendentes.

Essas projeções são realizadas por veículos de comunicação e agências de notícias, como a Associated Press, mas não substituem a certificação oficial feita pelas autoridades eleitorais.

Califórnia, Arizona e Alasca podem ter apuração prolongada

Entre os estados que exigem atenção especial estão Califórnia, Arizona e Alasca, onde características específicas do processo eleitoral podem prolongar a divulgação dos resultados.

Na Califórnia, a legislação permite contabilizar votos enviados pelo correio que cheguem até sete dias depois da eleição, desde que tenham sido postados dentro do prazo estabelecido.

Em eleições anteriores, algumas disputas para a Câmara dos Representantes no estado levaram aproximadamente três semanas para ter seus vencedores confirmados.

No Arizona, a verificação das assinaturas e dos envelopes utilizados no voto pelo correio também pode ampliar o período de apuração.

Já no Alasca, cédulas enviadas por eleitores residentes no exterior podem ser recebidas até 15 dias após a votação.

Outro fator é o sistema de votação por escolha ranqueada, utilizado em determinadas eleições no Alasca e no Maine. Nesse modelo, o eleitor pode indicar candidatos por ordem de preferência.

Quando nenhum concorrente alcança a maioria necessária na primeira contagem, são realizadas etapas adicionais de redistribuição dos votos, seguindo as preferências registradas pelos eleitores.

Esses procedimentos fazem parte das regras eleitorais e não representam, por si só, indícios de irregularidade.

Experiências anteriores mostram que resultado pode demorar

Nas eleições de meio de mandato de 2022, a definição do controle do Senado levou quatro dias. Já a confirmação de qual partido teria maioria na Câmara dos Representantes demorou oito dias.

Na eleição presidencial de 2020, a projeção da vitória de Joe Biden foi anunciada quatro dias depois da votação.

Esses exemplos mostram que a demora não é uma situação inédita no sistema norte-americano.

O tempo necessário para concluir a contagem depende principalmente da quantidade de votos pendentes, das regras estaduais e da diferença entre os candidatos.

A divulgação gradual dos resultados também exige atenção à circulação de informações falsas. A ausência de um vencedor confirmado na noite eleitoral não significa que exista fraude ou manipulação dos votos.

Disputa define futuro do Congresso e influência de Trump

As eleições desta terça-feira renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujos integrantes possuem mandatos de dois anos.

No Senado, serão disputadas 35 das 100 cadeiras. Os senadores norte-americanos cumprem mandatos de seis anos, com renovação parcial da Casa a cada dois anos.

Os eleitores também escolherão governadores em 36 estados, além de autoridades estaduais e locais.

Atualmente, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, possui maioria nas duas Casas do Congresso.

Para conquistar o controle da Câmara, os democratas precisam obter um ganho líquido de três cadeiras. No Senado, onde os republicanos possuem 53 assentos contra 47 do bloco democrata e seus aliados independentes, a oposição precisa conquistar quatro cadeiras adicionais para alcançar a maioria.

O resultado terá consequências para a capacidade do governo Trump de aprovar projetos, negociar o orçamento federal e enfrentar investigações parlamentares.

O novo Congresso terá seus mandatos iniciados em 3 de janeiro de 2027, conforme a Constituição norte-americana, embora a data de abertura das sessões possa ser ajustada por legislação específica.

Até lá, a definição da composição das duas Casas dependerá da conclusão das apurações estaduais e da confirmação dos candidatos eleitos.


Fonte: Brasil de Fato

Fontes complementares: CNN Brasil | Exame

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